Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

50 ANOS DE BONS SERVIÇOS

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado

Um conceito está muito em voga, hoje em dia, entre historiadores e sociólogos, é o de “espaço de sociabilidade”, o qual, juntamente com seu correlato “rede de sociabilidade”, vem sendo objeto de estudos. Um “espaço de sociabilidade” bastante curioso, muito presente no nosso dia-a-dia, é aquele constituído pelos restaurantes por quilo, que surgiram no Brasil há cerca de 20 anos e desde então tiveram extraordinário desenvolvimento. Tudo, na vida moderna, favorece esse gênero de restaurantes: a pressa com que geralmente se almoça, a praticidade com que se evitam os trabalhos caseiros de cozinha, a facilidade para quem deseja uma alimentação saudável e balanceada, e por isso prefere poder dispor de opções bem diversificadas.
Como espaços de sociabilidade, os restaurantes por quilo são um campo aberto e cheio de potencialidade, para quem se disponha a estudá-los. Aqui em Piracicaba, frequento quase diariamente o Galileo Grill, na Rua Prudente de Morais, onde fiz excelentes amizades e ampliei a minha “rede de sociabilidade”. Entre os bons amigos que ganhei, frequentando o Galileo, conto com muita estima o Sr. Antonio Vitti, que todos os domingos ali comparece com sua esposa D. Maria, a filha e duas netas. Sabendo que era irmão do nosso caríssimo Príncipe Lino, o dos poetas piracicabanos, foi fácil o contato, logo ficamos amigos. E todos os domingos, lá sempre tiramos nossos dois dedos de prosa, que para mim são muito prazerosos.
Acabo de receber, precisamente do Sr. Antonio Vitti, um presente precioso. Trata-se de um livro que publicou, intitulado “Das sombras à luz... – História da Comunidade São Domingos de Gusmão (50 anos de Trabalho e Fé)” e prefaciado pelo irmão, Acadêmico Lino Vitti.
É um pequeno grande livro. Tem apenas 95 páginas, mas um conteúdo denso e benéfico para o leitor. Neste mundo tão esquecido de Deus e das coisas do espírito, dá gosto ler o histórico de meio século de dedicação de uma família católica que, a partir da catequese de crianças, chegou a formar uma instituição sólida e a edificar uma igreja. Tudo isso aqui em Piracicaba, no Bairro Alto, bem perto do Centro.
Os Vitti, muito conhecidos nesta cidade e em toda a região, são de origem tirolesa, daquela região austríaca de onde vieram muitas das famílias que ainda hoje povoam o distrito de Santa Olímpia, Santana, Fazenda Negri e Viocil. São católicos por tradição e convicção, sempre muito dedicados em apoiar as obras piedosas da Igreja. Um dos irmãos do Sr. Antonio é, até, sacerdote.
Em 1960, o Sr. Antonio, congregado mariano ainda bem jovem, conseguiu de seu futuro sogro, Sr. Domingos Blanco, autorização para que fossem ministradas aulas de catecismo à sombra das árvores da chácara da família Blanco, que ocupava todo um quarteirão, entre as ruas Bernardino de Campos, Marechal Deodoro, Visconde do Rio Branco e Regente Feijó. A primeira turma de neófitos foi constituída por 60 meninos e meninas. A essa turma seguiu-se outra, depois mais outra e outras mais, até hoje.
Muito metódico e organizado, o Sr. Antonio já em 1961 promoveu a fundação formal de um Centro Catequético, com uma ata constitutiva assinada por diversas pessoas e contando com o apoio do pároco Mons. Martinho Salgot. Mais tarde, quando dividiu a chácara entre os seus vários herdeiros, o Sr. Domingos Blanco reservou uma área para ser doada à paróquia, a fim de nela se institucionalizar o centro catequético. Nessa área foi edificado um salão e, mais recentemente, uma capela. Os trabalhos catequéticos que deram origem à obra prosseguem, como disse, até hoje.
A história dessa instituição, que durante 50 anos vem sendo conduzida como anexo à Paróquia do Bom Jesus e sempre contando com o apoio e generosidade dos Vitti, é narrada nesse livrinho tão singelo e, ao mesmo tempo, tão rico e revelador. Foi tipicamente uma iniciativa de leigos, num século em que o laicato ganhou tanta expressão na Igreja Católica.
O nome oficial da instituição, que consta do título do livro, é Comunidade São Domingos de Gusmão, santo espanhol do século XIII, fundador da Ordem dos Pregadores (dominicanos). Na pg. 21, o autor explica a razão dessa escolha: Domingos era o onomástico do benfeitor, Sr. Blanco, que era filho de espanhóis; e era também espanhol Mons. Salgot.
Entretanto, uma coisa não me ficou clara. Na ata de fundação, reproduzida em fac-símile nas páginas 15 e 19 do livro, a instituição era denominada “Centro de Catecismo São Domingos Sávio” – o que era muito explicável, já que São Domingos Sávio, santo do século XIX falecido com apenas 13 anos de idade, aluno de São João Bosco e, como este, natural de uma aldeia próxima a Turim, norte da Itália, também foi catequista e exerceu seu apostolado com crianças.
Vê-se, portanto, que ocorreu, em algum momento da história, uma substituição no patrono da instituição. Um São Domingos foi trocado por outro. Entre santos do Paraíso, obviamente, não há rivalidades nem disputas... Não ficou nem um pouquinho menor a glória eterna de São Domingos Sávio por ter sido seu nome substituído pelo também glorioso São Domingos de Gusmão. Mas permanece a dúvida: por que essa substituição?
Acredito que esse é um ponto que o Sr. Antonio, melhor do que ninguém, pode nos esclarecer. Espero que já no próximo domingo, quando o reencontrar no Galileo, ele me esclareça isso... Espero também que a obra meritória da Comunidade São Domingos permaneça por muitas e muitas gerações de Vitti. E que o ótimo livro do Sr. Antonio tenha, também, muitas e muitas reedições.

Nenhum comentário:

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz