Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Medicina, realidade, problemas e soluções

 Antonio Carlos Neder
Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Parece haver hoje em nosso país uma política deliberada de desqualificação da medicina e dos médicos.
A despeito de ser ainda centro de excelência e referência mundial em várias especialidades, o Brasil coloca o seu sistema em xeque dia a dia, por equívocos ou falta de visão de parte dos gestores.
Atualmente, um grande vilão da desconstrução da medicina é o aparelho formador. A abertura indiscriminada de escolas de medicina não foi enfrentada com a devida seriedade e os resultados são nefastos.
Partindo da ideia de que a problemática da educação em qualquer país é consequência e não causa da situação sócio-econômica, cultural e política, deveríamos debater alguns dados para podermos compreender os rumos do ensino superior em geral, e do ensino médico, em particular.
Ao passar do tempo, verificamos que a transmissão da cultura, compromisso tradicional da Universidade, foi cedendo lugar à filosofia de preenchimento das necessidades imediatas. Substituiu-se a ética do ser pela ética do ter.
O aluno é tido como um produto para o mercado de trabalho. Os vestibulandos passam a procurar profissões cuja imagem é de sucesso no campo econômico e social.
Não se indaga se o aluno tem aptidão para determinada profissão, quais suas capacidades, tendências, indicações ou vontades.
Na saúde, existe a necessidade de generalistas, mas formam-se especialistas. Há necessidade de dar mais atenção aos problemas coletivos, mas os formandos são orientados para os problemas individuais.
Mesmo mal orientados quanto a sua formação e objetivos coletivos, os formandos não possuem em sua grande maioria mínimas condições para atendimento clínico.
Recente avaliação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, com estudantes do sexto ano, portanto formandos, atestou que quase 50% deles não sabe interpretar radiografia ou fazer diagnóstico após receber informações dos pacientes.
Também, cerca de metade administraria tratamento impreciso para infecção na garganta, meningite e sífilis. Ainda não seria capaz de identificar febre alta como fator que eleva o risco de infecção grave em bebê.
O baixo percentual de acertos em campos essenciais da medicina, como Saúde Pública (49% de acertos), obstetrícia (54%), clínica médica (56,50%) e pediatria (50,30%) é alarmante.
Esses dados reforçam ainda mais a idéia de que é necessário que o formando realize pelo menos um ano de clínica médica antes de ingressar no atendimento da população.
Aliás, os índices de reprovação, desde que a avaliação foi criada em 2007, mostram que muitos novos médicos não estão preparados para exercer a profissão. Some-se a esses problemas de má formação profissional, a deficiência já citada da Residência Médica, onde quase 50% dos formados não conseguem por vários motivos obte-la.
De certa forma, a responsabilidade não é só dos formados que pagam mensalidades caríssimas, convictos de que receberam conhecimentos suficientes para bem servir ao próximo. É fruto da mercantilização do ensino médico.
 A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Panamericana de Saúde (OPS) concluíram que dos aproximados 15 mil médicos formados anualmente apenas 53% deles alcançam a Residência Médica 1, e 47% não o fazem por vários motivos e partem ainda assim, respaldados por Lei, a realizar atendimentos clínicos, sem o mínimo de conhecimentos. Porém, mesmo sendo apenas bacharéis em medicina são favorecidos e exercem a profissão, em detrimento da população menos favorecida.
Quando lembramos que os alunos do sexto ano, formandos, possuem baixo rendimento comprovado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, algo deve ser feito em prol da Saúde Pública, com urgência. Temos o exemplo da OAB, que graças ao enorme número de faculdades de Direito, exige uma reavaliação dos conhecimentos dos formados, através do exame da Ordem.
Algo parecido precisa urgentemente ser feito na área médica, pois o número de faculdades de medicina cresceu desordenadamente, muitas delas sem condições reais de funcionamento. Há de se encontrar uma forma para filtrar os formados, protegendo assim a população menos favorecida.
Faz tempo que as Escolas Médicas são abertas com qualidade absolutamente contestável. Além disso, existem regiões do país que estão superlotadas de Faculdades, em detrimento das regiões norte-nordeste, onde a deficiência de Faculdades é enorme.
Não discutimos a quantidade de médicos formados, mas sim a sua capacidade para atender clinicamente a população.
O excesso de médicos nas regiões sudeste e sul do país  é comprovado pela OMS e pela OPS. Segundo essas organizações, o número de pacientes por médico deveria ser de 3 mil e, no entanto, a média é de 400 pacientes, o que mostra o número elevado de médicos nessas regiões. Em contrapartida, no norte-nordeste é aproximadamente de 12 mil, o que demonstra a falta de médicos naquelas regiões.
Além do fator político, na criação de novas faculdades de medicina, predomina o fator mercantilizante, que muitas vezes é unido ao fator político. A maioria das faculdades de medicina é autorizada a funcionar sem possuir ao seu lado um hospital-escola, com corpo docente e capacitação discutível. Falhas na grade pedagógica, além de outros problemas. Em tempo, não podemos confundir a existência de um Hospital com um Hospital Escola, que é inteiramente voltado ao atendimento da Faculdade.
Dessas faculdades mambembes, saem todos os anos profissionais de formação falha. Não dá para fechar os olhos, pois isso é um risco para a vida de todos os cidadãos.
Para agravar a situação, o perigo não mora só aqui, também vem de fora. Nos últimos dias, por exemplo, foi noticiado amplamente que o Governo Federal adotará nova estratégia para facilitar a revalidação de diplomas de médicos brasileiros formados na Escola Latino Americana de Medicina de Cuba.
Com recurso de nossos impostos, eles farão estágios em hospitais públicos, recebendo bolsas, enquanto fazem cursinho de reforço para se preparar para uma prova de revalidação do diploma. Ressalto que a revalidação desses diplomas de médicos estrangeiros, e principalmente de brasileiros formados em outros países, é um processo democrático, contudo são necessárias regras rígidas para não expor os cidadãos à incompetência profissional oriunda de modelos de formação inadequada ou insuficiente.
Como se já não bastassem os nossos problemas para cuidar da formação dos nossos médicos, readequando nossas Faculdades de medicina, dando ao produto final mais qualidade para o atendimento da população, eis que temos ainda que absorver problemas que vêm do exterior para o nosso país.
Tenta-se na atual conjuntura mais um remédio para esconder a incompetência com que se concebem políticas consistentes para garantir a universalidade e integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
Busca-se mão de obra barata para atender regiões de fronteira de difícil acesso. Enfim, parece que se planeja oferecer medicina de segunda categoria para os carentes e desassistidos. Não podemos compactuar de forma alguma com isso.
Conclusões finais e agravante: o médico é pessimamente remunerado no serviço público, onde seus honorários são bem inferiores à sua qualificação e responsabilidades. Para agravar ainda mais essa situação, ocorre o mau atendimento e cumprimento de horários de serviços. Como a ele é determinado um número de atendimentos diários, ele cumpre essa missão, segundo os horários estabelecidos, sem se preocupar com a qualidade do atendimento.
Para finalizar: o médico deve fazer o exame anaminésico – que corresponde a exames objetivos e subjetivos – conversar com o paciente sobre seus problemas, no mínimo por 15 minutos, a fim de ter  noção dos seus problemas clínicos.
Porém, o que ocorre é o absurdo de o paciente ser atendido no exame anaminésico por no máximo dois minutos. Não é possível, humanamente, o profissional médico obter nesse curto espaço de tempo diagnóstico próximo do correto.
A defesa, feita pelos médicos para mim é inaceitável, pois eles alegam serem obrigados ao cumprimento do horário a eles estabelecido. Creio que mesmo aumentando o número de médicos na clínica, o problema continuará, pois trata-se de uma má formação cultural e médica inadequada, já relatada neste trabalho.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz