Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

In memoriam


                                 Samuel Pfromm Netto (1932-2012)

Armando Alexandre dos Santos (*)

Na última semana, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo perdeu dois de seus mais eminentes membros: no dia 17, faleceu o piracicabano Samuel Pfromm Netto (1932-2012) , e no dia 22 deixava-nos o botucatuense Hernâni Donato (1922-2012). A ausência de ambos é, literalmente, irreparável, porque homens da cultura e do descortino de Hernâni e Samuel não aparecem com frequência, ainda mais em tempos de decadência cultural como o nosso. Eram verdadeiros ícones da Cultura Paulista.
Já há poucos meses, outro destacado membro que honrava as fileiras do IHGSP havia falecido. Refiro-me a D. Antônio Maria Mucciolo, arcebispo emérito de Botucatu e diretor da Rede Vida de Televisão. Aos três sou, pessoalmente, devedor, porque cada um deles teve a gentileza de prefaciar um livro meu.
Pretendo hoje recordar alguns pontos que me ocorrem, relativos a Samuel. Conheci-o há perto de 20 anos, quando ingressei no IHGSP. Desde logo fiquei cativado por sua personalidade pujante, sua cultura, sua extrema amabilidade. Nós, os mais jovens do Instituto, tínhamos por ele enorme respeito, pois conhecíamos seu currículo brilhante, desde professor primário até livre-docente,  desde modesto jornalista na Piracicaba ainda provinciana da meados do século XX, até professor emérito de Psicologia Educacional, na USP, autor de obras de peso e referência internacional na sua especialidade.
Mas ele não nos intimidava, mostrando-se, pelo contrário, acessível. Quando conversava com os mais jovens, longe de adotar uma postura professoral (que seria, aliás, mais do que justificada), sabia adaptar-se, acamaradar-se, gostava de ouvir, estimulando os melhores lados do interlocutor. Era cultíssimo, tinha um conhecimento profundo da História e da Literatura dos vários povos, de modo que, nas conversas, com naturalidade entremeava observações argutas, comentários inteligentes, recordações de leituras ou viagens muito adequadas ao momento. Era, ao mesmo tempo, atualizado, acompanhando com interesse as novidades em todos os ramos do saber. Conversar com Samuel era aprender, era penetrar num mundo encantado de cultura e bom gosto.
Tinha, ainda, seus hobbies, seus “estudos paralelos”, conhecendo em profundidade cinema, história em quadrinhos e música popular brasileira. Tudo isso o aparelhava de modo excelente para, nas conversas ou aulas, soltar observações engraçadas, sutis, cheias de verve. Era capaz de, numa conferência, referir-se a um personagem de romance, a uma peça de teatro, citar um ditado popular, cantar um trecho de uma música, tudo isso com naturalidade, encantando os que o ouviam.
Era um grande orador, dos melhores que conheci, comunicador nato, professor até a medula dos ossos.
Mais tarde, já em 2001, tive ocasião de estreitar relações com ele e com sua esposa, D. Olga, quando o entrevistei para o jornal “São Paulo em foco”, do qual era diretor.
Falei de D. Olga. É impossível recordar Samuel sem falar dela. A fidelíssima companheira de mais de 50 anos de matrimônio, contou-me, no velório, que poucos dias antes do falecimento, com Samuel já muito doente e abatido, ela, que no quarto do hospital procurava distrair-se e distender-se um pouco fazendo palavras cruzadas, perguntou-lhe alguma coisa, referente à história de Roma Antiga. Era um nome qualquer de um imperador, com determinado número de letras, que precisava colocar no papel.
Evidentemente, D. Olga quis, com a pergunta, estimular um pouco o intelecto combalido do esposo, animando-o. Mas, gracejou:
- Samuel, quero só saber a palavra, não precisa me dar uma aula.
Mas o velho professor, estimulado, não se contentou em dar a resposta... sentiu necessidade de explicá-la. E dali brotou uma conversa que tomou a manhã inteira, percorrendo com sua memória e recordando com vivacidade toda a história da antiga Roma, desde a lendária fundação, com Rômulo e Remo, até a Antiguidade Tardia, já no despontar da Idade Média. Vendo que o marido se animara, D. Olga, jeitosamente, deu corda, foi fazendo perguntas, incentivou-o a falar. E ele falou... Tudo repassou, os reis, a república, o consulado, o principado, o império, o surgimento do Cristianismo, a crescente influência dos bárbaros que, afinal, destruíram o Império. Foram três ou quatro horas de conversação...
Por trás de todo grande homem, costuma-se dizer, existe uma grande mulher. D. Olga é a grande dama que acompanhou Samuel em sua vida. Dotada ela também de notável inteligência e cultura – especialmente na área de Letras – foi a companheira e interlocutora ideal de toda uma vida dedicada ao pensamento, ao ensino, à cultura.
Conheceram-se ambos aqui à porta do meu prédio, na Rua São José, defronte ao antigo Cinema Broadway. Samuel era, então, um jovem professor, diplomado pelo antigo Curso Normal, e trabalhava como jornalista no Jornal de Piracicaba, redigindo a crítica cinematográfica. A jovem Olga viu o jovem Samuel, gostou dele e dali nasceu um romance que se manteve por mais de meio século.
Piracicabano estabelecido em São Paulo, Samuel nunca esqueceu sua terra natal. Aqui vinha com frequência, sonhava retornar para cá. Ainda poucos meses antes de falecer, pediu-me que lhe procurasse um apartamento pequeno, aqui no centro da cidade. Queria ter um “pied-à-terre” aqui, que não ficasse longe nem da Praça José Bonifácio nem do rio Piracicaba. Queria poder ir a pé aos velhos e saudosos locais em que passara a infância...
 Para cá realmente retornou, mas infelizmente num dia muito triste para todos nós que o estimávamos e admirávamos. Veio para o sepulcro dos Pfromm, no Cemitério da Saudade. Pouco tempo antes, dissera-me que havia tomado todas as providências para seu sepultamento. Não queria ser cremado, mas sepultado, de acordo com o velho costume católico, junto dos seus, na sepultura familiar. E como católico morreu, confortado com os sacramentos da Igreja. No mesmo dia do seu enterro, na missa dominical das 19 horas, celebrada em rito oriental maronita, Mons. Jamil (que era amigo de Samuel e seu confrade no IHGSP), recordou sua figura e sufragou sua alma. Deus tenha a alma desse grande amigo, desse grande mestre, desse grande piracicabano.
Deve sair em breve, como obra póstuma de Samuel, o Dicionário de Piracicabanos Ilustres. Empenhou-se nesse livro monumental por anos a fio e queria vê-lo publicado em vida. Acompanhei-o em alguns dos lances que deu, na infrutífera tentativa de conseguir patrocínio para a publicação. Mas somente depois de sua morte virá a lume, editado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, agora sob a direção segura de nosso amigo Vitor Vencovsky. Será a primeira obra póstuma de Samuel Pfromm Netto. Acredito que, em seus papéis de estudo e pesquisa, outras obras ainda estejam esperando pela luz da publicidade. Sim, era fecundo, era fecundíssimo, meu amigo Samuel, com sua cultura polimorfa e multifacetada.

(*) Armando Alexandre dos Santos é historiador, jornalista e diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

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Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
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Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
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Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz