Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
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sábado, 16 de março de 2013

O CENTRO DA ALMA

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

            Peço licença ao leitor, pois gostaria de tratar um pouco de espiritualidade. Das nossas vivências. Do acervo humano que cada um possui dentro de si. Das nossas aventuras pessoais e da grandeza que é viver.
            Penso num assunto fascinante. O centro da alma e a periferia da alma. As contradições vividas no dia-a-dia. Como é difícil lutar contra os fatores externos! Creio que o núcleo da nossa alma será sempre aquele que se inclina para o Criador. É ali, no cerne da nossa espiritualidade que Deus repousa.
            E quando não colocamos Deus no centro de tudo, nossa vida desanda. Entendo sempre que Deus deve estar em primeiro lugar. Quando o Espírito atua em nós, é maravilhoso! Tenho feito uma experiência mística fascinante: viver com pouco. Passar com o que tenho e comprar somente o necessário. Experimentar uma vida verdadeiramente franciscana.
            Busco uma espécie de "pobreza temporal" e também espiritual, pois é como melhor me adapto a este mundo. Nunca me deslumbrei com nada, nunca senti inveja dos ricos e famosos, nunca desejei mais do que tenho. Sempre me contentei com o que possuo e já enfrentei, como muitos de nós, fases difíceis na vida.
            Há alguns anos, passamos (meu marido ainda era vivo) nossos apertos, e foi nessa época que mais vi o Espírito agir em mim. Assaltou-me uma força colossal. Da aparente fragilidade brotava um vigor inesperado. Eu construíra a casa sobre a rocha. Veio o vento, veio a chuva e minha casa permaneceu de fé. Meu coração foi valente.
            Nos momentos mais duros, rezei com fervor. Nas noites mais fundas e dolorosas, peguei o meu terço. E era ali, no centro da minha alma, que as forças se juntavam. Podia reconhecer meu lugar no universo, no mundo contemporâneo onde tenho de circular, conviver, me relacionar e comer o meu pão diário.
            O bom Deus sempre me ouviu. Tenho de reconhecer o afeto d´Ele por mim. Mas não fiquei esperando nada cair do céu... Fiz a minha parte, não tive medo nem vergonha. Trabalhei, fora e dentro de casa. E isso não mata ninguém, só nos fortalece. Olho para trás, vejo o que passei, e me espanto por ter sido tão corajosa e tão forte. Sinto orgulho de mim.
            O centro da alma. Imagino que o leitor esperasse algo mais intimista. Algo a respeito da fé, da espiritualidade mais profunda. Do encontro com o divino. No meu caso, o espiritual se fundiu com o sofrimento do cotidiano, com a luta pela sobrevivência digna, o enfrentamento com o desconhecido - e o divino se revelou para mim.
            Não sei de onde tirei tanta energia e entendimento. Agora, viúva, sozinha (por opção), quieta no meu canto, e com a vida razoavelmente estável, sinto os eflúvios do Espírito à minha volta. Olho para trás e Ele me diz: “Você chegou. Você chegou até aqui. Você ainda esta de pé. Eu te ponho de pé todos os dias”.
            Do centro da minha alma vejo a chama divina agir em toda parte. Esta luz que age em nós, quando nos deixamos domar. "Solte os remos!", diz sempre padre Edvaldo. “Solte os remos!”, repito com ele. Deixemos Deus comandar o barco da nossa vida. Deixemos o Espírito agir e atuar em nós. A Providência Divina existe e comprovei isso com meus próprios olhos.
            Fico feliz quando encontro alguém em quem presencio esta clareza espiritual que anima e eleva! Sempre digo que andar nos santos caminhos não significa renunciar à alegria, ao amor, à felicidade, às coisas lindas da vida.
            A felicidade completa é uma utopia. No decorrer da existência, há perdas, doenças, luto, dor, sofrimento. Nada dura para sempre. Nós mesmos vamos envelhecendo e vem a decrepitude... Nada é fácil. Não existe uma fórmula mágica para a vida. Filhos não vêm com bula. Casamentos se desfazem.  As separações são sofridas. E é preciso aprender tudo. Uma aprendizagem que jamais termina, pois há novas lições todos os dias. Feliz de quem as aprende com a beleza bíblica da Sabedoria!
            Lá, no centro da minha alma, faço conjecturas. Inferências. Busco o discernimento necessário para algumas questões relevantes. O centro da minha alma está à espera. Algo grandioso deverá vir até nós, num momento fatal. E será belo, sobretudo para os que esperam em Deus.
            Os tempos são trepidantes. Vemos a glória do mundo e vemos sua decadência todos os dias.  Por vezes, somos pegos de surpresa. O santo padre renunciou e haverá um conclave para eleger um novo papa. No ar, rumores do fim dos tempos. Será?
            Que o centro de nossa alma nos traga o justo equilíbrio, a lucidez necessária para atravessarmos com serenidade o que possa vir à frente. Nada nos perturbe ou nos tire a paz, nada nos assuste, como dizia Santa Tereza d´Avila. Sabemos que “a paciência tudo alcança” e que nossa alma precisa desta bela lição de amor.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz