Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (crédito da foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
Cezário de Campos Ferrari

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Antonio Carlos Neder
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Myria Machado Botelho


Seguidores

sábado, 20 de abril de 2013

Ainda somos seis

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade
     
     Estou atendendo ao pedido de um amigo, que adora ler  “as coisas de antigamente”. Ia começar este título com “Éramos seis”. Ainda somos seis irmãos, todos vivos, na graça de Deus. Todos já passamos de meio século e cada um já viveu sua parte de alegria e de dor nesta vida. Somos seis irmãos e guardamos o legado lindo deixado pelos nossos pais.
     Então, “éramos” seis, cinco mulheres e um homem. Minha mãe, impecável na sua função de administrar a casa, reinava como a perfeita rainha do lar, à medida que crescíamos. De manhã cedo, a mesa posta, o cheiro de pão fresco, o leite fervido, o café coado recendia pela casa. Cedinho, meu pai já havia saído para o trabalho e minha mãe começava a lidar com os afazeres domésticos.
     De suas mãos brotaram as mais belas refeições de que tenho lembrança. O pernil assado com batatas; o frango com polenta; o nhoque e o bife à milanesa; o bacalhau com molho; a macarronada maravilhosa, tudo feito em casa, com carinho e capricho. E os bolos e doces? Ninguém fazia um doce de abóbora em pedaços igual ao dela.
     Mamãe foi do tempo do ferro de passar com brasas e do fogão a lenha. Dignamente rachava a madeira no quintal, acendia o fogo para a comida de cada dia. Ficava com as mãos tão grossas, mas usava um pé de mamão que tínhamos num terreno ao lado de nossa casa e, com um facão, dava um talho no tronco. Dele escorria um leite branco que ela passava nas mãos, pois dizia que amaciava bem a pele.
Sabia destroncar o pescoço do frango, depois o punha numa grande caçarola com água fervendo para amolecer a pele e tirar as penas uma por uma. Aí, cortava a ave em pedaços e a temperava. Para fazer a sua famosa polenta com frango, que nunca existiu igual no mundo!
 A roupa lavada e passada pelas mãos da minha mãe tinham um perfume único. Sabia fazer um pouco de tudo, costurava, bordava. Lembro da alegria dela com o primeiro fogão a gás, a geladeira, o telefone, a televisão. Eram presentes maravilhosos para ela! Acho que nunca a ouvi se queixar de nada. Parecia ser imensamente feliz, mesmo com tantos afazeres diários. E a gente só vivia brincando, estudando, passeando, indo ao cinema...
     Que tempo maravilhoso foi aquele, minha mãe e minha avó italiana disputando espaço na cozinha, na pia, no fogão, uma mexendo a polenta, outra lavando a louça... Meu pai trazendo carne de porco do sítio e minha mãe lidando com ela, fervendo as tripas, usadas para encher de linguiça caseira. Vinham as laranjas, mangas e goiabas. A goiabada era feita no tacho de cobre. Levávamos pão com goiabada de lanche durante semanas na escola e ninguém enjoava de nada.
            Para mim, como já afirmei, a felicidade reside nas coisas simples. Sobretudo quando se tem estas lembranças acesas no coração! Minha avó italiana e sua tigela branca para o café com leite, onde ela molhava o miolo do pão. Meus irmãos e eu, meu pai e minha mãe. Os dois ajoelhados rezando o terço, diante dos quadros lindos dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Ainda somos seis e, quando nos reunimos, vem o abraço mudo desta felicidade pequenina e as lágrimas de saudades enchem nossos olhos e nossos corações!...

Nenhum comentário:

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz