Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras 2018/2021

Presidente– Vitor Pires Vencovsky
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Ivana Maria França de Negri
Segundo Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Primeiro Tesoureiro – Edson Rontani Junior
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal
Gustavo Jacques Dias Alvim
Alexandre Neder
Walter Naime

Editor e Jornalista Responsável
João Umberto Nassif

Conselho editorial

Evaldo Vicente
Antonio Carlos Fusatto
Ivana Maria França de Negri
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto



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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ANACRONISMO

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella

            Visitei minha terra.  Depois de algum tempo, o ser humano sente necessidade de um retorno, espécie de aconchego e reencontro com suas raízes.  As cidades pequenas possuem afinidades e características semelhantes, um cunho de simplicidade e de ternura que fala mais profundo ao coração.
            Em São Simão, o sol mais claro e o céu mais azul, livres da poluição, iluminam e destacam as paredes de pintura nova de casario de telhado brilhante, quase todo no alinhamento das calçadas.  Em acordo tácito, os moradores resolveram  renovar suas casas que contrastavam a velhice  com as construções recentes.
            Andei pelas ruas e calçadões estreitos e altos, cumprimentando parentes, conhecidos e desconhecidos, surpresos com a interpelação e a curiosidade da visitante.    Debrucei-me sobre as velhas pontes do rio que corta a cidade e olhei longe para os  grandes pomares com suas mangueiras amarelinhas de frutos, recordando-me do tempo em que vivia empoleirada sobre seus galhos ou  no balanço de corda, ganhando as alturas e sonhando alto.
              Em frente ao Grupo Escolar, detive-me por algum tempo.  Ali se desdobraram meus primeiros contatos disciplinados com o saber e o dever transmitidos  por mestres dedicados e capazes que me acentuaram o gosto pelos livros.  Na pracinha da Igreja Matriz, defronte ao Grupo, lembrei-me das quermesses e das festas religiosas, num tempo em que a confraternização era mais cordial e mais simples, as comadres  atualizavam os mexericos e os “correio-elegantes” funcionavam a todo vapor, endereçando declarações de amor aos namorados...       As crianças, na barraca das pescarias brincavam e sonhavam, num tempo em que o “faz de conta” e o medo gostoso das histórias de assombração, do saci Pererê e das bruxas com poderes sobrenaturais eram pura ficção sem maiores consequências...
            Muita coisa se extinguiu na terrinha e não está como antes.  A estação ferroviária da Mogiana, bem pertinho da casa onde nasci, transformou-se em Rodoviária.  Já não se ouvem os apitos sincopados e compridos, os vagões arrastando-se nos trilhos, em manobras ou arranques definitivos.  A chegada dos “Rápidos” da manhã e da tarde, sempre atrasados, e dos “Noturnos”, constituía um acontecimento.  Nas plataformas um alvoroço: quem vem, quem não vem, os “despejos” dos passageiros e as despedidas com acenos de mãos e de lenços, lágrimas e sorrisos que sugeriam a busca do desconhecido e das aventuras.
            Na sorveteria, bem na esquina da “Rua do Meio”, perto da praça principal, pedi um picolé de chocolate, o “sorvete de pauzinho” de minha infância, tão desejado e proibido, em razão da provável dor de garganta.  Na praça maior, uma decepção:  as espirradeiras, os chapéus de sol foram substituídos e o coreto, em volta do qual se brincava de ciranda, de amarelinha, de fura-bolo e samba- lelê, ouvindo a “banda” ou a “retreta”, já não existe.

            Sentei-me no banco de pedra, diante dos morros e do Cruzeiro, bem no alto, que já acendia suas luzes.  O sol se despedira desmaiando em sua apoteose derradeira.  Os sinos da Matriz do meu  batismo , os mesmos sinos tangiam docemente, enquanto  eu usufruía o silêncio, quebrado apenas pelo rumorejo do ribeirão ali próximo e o pio dos pássaros, aninhando-se sob as árvores...  Senti-me proprietária daquela doçura e daquele envolvimento...  Súbito, ouço os acordes de uma antiga música: uma oferta anônima para completar um dia muito pleno em que me debrucei sobre o passado, com saudade da menina que lá ficou!...

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Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2-André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11-Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35-Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz
Lino Vitti - Acadêmico Honorário (in memoriam)