Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
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domingo, 8 de maio de 2016

Conto para o Dia das Mães

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
                

Tudo começou com uma visita a um lugar que abriga pessoas idosas. Em nossa normal curiosidade, começamos a questionar, tentando entender porque tantos idosos ali concentrados!
Não teriam família, filhos, netos? Ou qualquer pessoa que pudesse compartilhar com eles um pouco do aconchego e carinho de um lar?
Foi quando chamou-nos a atenção a figura enigmática de uma senhora; idosa como os demais, mas com um magnetismo diferente dos outros; forçando-nos constantemente a voltar o olhar para aquela misteriosa mulher. Devido a nossa indisfarçável curiosidade, alguém nos confidenciou: “Está meio gagá...” “É o tempo...”, outras diziam. E outras, ainda: “De há muito foi deixada aqui... Ela é bastante velha apesar de não aparentar tanto. Dizem que foi muito rica e poderosa, estudou até no exterior”.
Passamos então, a observá-la melhor: ora olhava as pessoas como se não existissem; outras vezes, seu olhar triste, cansado, perdia-se na contemplação do vazio. Parecia até que lembranças de um passado distante convulsionavam-se em sua mente, como se coisas proibidas pudessem desnudar segredos pelos quais devaneava sua alma sofrida.
            Aproximamo-nos dela e não pudemos conter a curiosidade em saber-lhe o nome... Um leve rubor deixou transparecer, na face mutilada pelo tempo, mas cujos traços deixavam nítida uma beleza de outrora; um par de olhos azuis parecendo águas-marinhas, incrustadas num rosto macilento, à sombra de vário bucres brancos que adornavam-lhes a cabeça, emoldurando a alva tez.
            Muitos a tinham visto sorrindo demoradamente ao pôr-do-sol, até adormecer por algum tempo, recostada ao tronco de sua árvore preferida, deixando transparecer em seus lábios um sorriso quase infantil.
            “É a saudade!” diziam os que a conheceram anteriormente. Talvez saudade de uma infância perdida no tempo... Ela, mulher, mãe e avó, também fora criança, jovem e tivera uma mãe.
            Várias vezes visitamos aquela senhora, agora atraído mais pelo estranho magnetismo que pela curiosidade.
            Aos poucos ganhamos sua amizade e tornamo-nos confidentes dela. Seu nome? Não importa, passamos a chamá-la carinhosamente de vovó.
            Contou-nos fatos de sua infância e adolescência, passadas numa fazenda a região, de suas viagens para estudar, de seu casamento até a viuvez, dos trabalhos sem esmorecimento para criar e educar os filhos, hoje todos com família constituída. Enquanto tivera algum capital para distribuir aos filhos e disposição para cuidar dos netos, fora tolerada, mas, na medida que os anos foram se acumulando, e doenças minando-lhes as forças, foi por eles abandonada, e a família resolveu interná-la naquele local. A princípio, amiúde a visitavam, mas com o passar do tempo esqueceram-na completamente.
            Em minha cabeça, naquele momento, um turbilhão impedia-me de entender tanta desventura.
            Quantas noites a pobre anciã chorou e gemeu em sua solidão?...
            Num certo domingo de maio, voltamos a visitá-la para levar algumas guloseimas, e a encontramos em seu leito bastante debilitada.
            Brancas madeixas emolduravam um rosto ainda altivo, apesar da doença, deixando transparecer que, aquela mulher fora realmente uma figura bela, cheia de vida e energia.
            Olhou com espanto e emoção para os pacotes depositados sobre a cama e, de repente em lágrimas, balbuciou algumas frases quase sussurrando; beijou as mãos deste visitante, os embrulhos e todos os que estavam a sua volta.
            Com certa dificuldade, voltou a balbuciar quase monologando: “Neste dia, a maioria das mães ganham presentes e carinhos redobrados dos filhos, outras só decepções, algumas choram de saudade porque também são filhas, outras escondem o pranto no sorriso”.
            Confidenciou que durante o sono, havia sonhado o regresso junto aos seus filhos e, que na casa havia grandes preparativos para recebê-la e comemorarem o DIA DAS MÃES. Sorria envaidecida com os carinhos recebidos dos netos, que dia maravilhoso estava passando, os preparativos se intensificavam, o aroma da comida caseira tomava conta do ar, fitas multicores, papéis para embrulhar presentes, risos e algazarras dos netos enchiam o casarão do sonho...
            Estava cada vez mais fraca, mas teimava em descrever o sonho minuciosamente. Coisa incrível! Ante a evidência do que se descortinava, ela se mostrava agora com uma felicidade transcendente, como se pressentisse a aventura que estava para começar...repentinamente tudo acabou... junto com o vento que entrava pela janela, foram-se os últimos suspiros da querida “Vovó”.
            De não muito longe, chegavam os acordes do sino do campanário, chamando os fiéis para a missa e a meditação.
            Exceto eu, somente as nuvens choravam neste momento; uma chuva fina e persistente lambia os vidros das janelas, enquanto o vento, seu companheiro de todos os dias, insistia em entrar novamente, querendo talvez dar um último passeio pelo quarto.
            Um anônimo abriu uma cova no Solo Santo, que serviu-lhe de morada final, enquanto a chuvinha fria fustigava as poucas pessoas que, qual sombra no ocaso, deixavam o local silenciosamente.
             E hoje, quantas mães ainda continuam sozinhas e abandonadas pelos filhos? Quantos ainda choram e se revolvem na solidão? Quantas sonham em abraçar os filhos e dizer-lhes: ‘Valeu meus queridos, eu vos amo muito... muito..., muito!...  

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz