Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

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domingo, 21 de novembro de 2010

Colaboração da Acadêmica Aracy Duarte Ferrari - Cadeira no 16 - Patrono José Mathias Bragion


Trem Passado, Memória Presente

Parece que ainda está bem nítido o som do apito do trem, do atrito estridulante das rodas de ferro nos trilhos, o visual arquitetônico das estações, a locomotiva e os carros. A Maria Fumaça, do
século XIX, famosa, histórica e majestosa máquina a vapor, dirigida pelo maquinista e seu ajudante, usava o carvão vindo das minas do sul do país como combustível para a caldeira e, por muitos anos, permaneceu como o melhor meio de transporte.
Reporto-me ao trem de passageiros e às incontidas emoções vivenciadas no bar da estação e ao longo da plataforma, o lugar mais importante da cidade, que era o ponto de encontro da juventude da época. Para lá se dirigiam aqueles que iam realmente viajar, os acompanhantes, que lá estavam apenas para se despedirem e um número expressivo de moços e moças, que lá iam somente para flertar.
Para mim era um feliz momento. Quanta alegria... as moças bem trajadas, em grupos de três ou quatro, proseando, sorrindo, extravasando sentimentos, olhavam os moços, que permaneciam encostados
às paredes do saguão. Aquele vaivém divertido tinha um ritmo ou uma cadência própria. A fala era tão intensa e vibrante que, misturada aos outros sons, assemelhava-se a uma orquestra sinfônica. Os assuntos eram tão agradáveis, e as conversas, cujos ecos alcançavam grandes distâncias e respondiam prontamente às indagações juvenis, eram as melhores do universo.
Expectativas... Sempre havia um clima de ansiedade no ar, quando o trem apitava ao longe, e depois de um espaço de tempo, vinha se aproximando e chegava... trazendo para os nossos corações
batendo em acelerado, novas expectativas, emoções e sentimentos, que acabavam envolvendo os jovens que estavam na estação, e os de dentro do trem. Ocorriam cenas gestuais, olhares entrecruzados e
até bilhetes escritos, às pressas, em papéis improvisados, que faziam as vezes de cartas de amor, fiéis testemunhas do amor à primeira vista e até daquele amor acontecido.
Porque o trem ficava na estação apenas de cinco a oito minutos, quase sempre, o tempo em que se desenrolava esse affaire era mínimo, mas o aguenta-coração era intenso. Antes de voltarem para
casa, os jovens faziam uma pausa no bar da estação para relaxar e saciarem a sede com os refrigerantes mais famosos daquela época: a Gengibirra e a lendária Cotubaína, cuja fórmula fora inventada
por Thales Castanho de Andrade, grande escritor piracicabano, e precursor da literatura infantil. O refrigerante era tão doce como seu livro “Saudade” e saboroso como os sonhos juvenis.
Eram assim os encontros na Estação da Paulista: certos, porque tinham data e horário prefixados, e também incertos, porque só as expectativas podiam imaginar o que iria ocorrer e como tudo ia terminar. Eram sempre momentos de beleza e graça, muitas vezes derivados de um único e exclusivo encontro, que nem por isso, deixavam de ser entremeados das lembranças das pessoas, dos intensos
sorrisos e de expressões poeticamente apaixonadas.
Novamente a saudade...! Daquele tempo em que eu contemplava a chegada e a partida do trem, participava do encontro dos jovens. Sobrando para o amanhã apenas sonhos que perduram,
mesmo depois de passarem por várias gerações, porque as ferrovias, ainda hoje, cantam as suas poesias, dizem as suas prosas carregadas de encantos... Sonhar... Ah! Sonhar até ver chegar o próximo trem
de passageiros.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz