Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

Walter Naime
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Editor e Jornalista Responsável
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Colaboração do Acadêmico Elias Jorge - Cadeira 22 - Patrono: Erotides de Campos



A genialidade de uma mulher


Ao escrever este artigo, não estou certo se o faço na esteira das algemas do destino ou se por feliz coincidência. A verdade é que a escolha do tema não ocorreu de forma aleatória. Não. Trata-se de algo que sempre desejei abordar, mas jamais encontrei o momento certo. E isso agora acontece quando me é permitido trazer esta matéria às nascentes páginas da primeira edição da Revista da Academia Piracicabana de Letras, presidida por uma mulher. E o fato, repito, se por destino ou coincidência, levou-me à lembrança de Rozany Martins de Barros Jorge, consagrada concertista de música erudita.
Ainda, aos bons ventos das coincidências, vale trazer à vista um retalho de artigo da lavra de João Chiarini, publicado em 16 de junho de 1957, no Jornal de Piracicaba, após recital de Rozany em nossa cidade: “Executante crente, duma firmeza ao lado de uma limpeza incomparáveis. Deu-nos um concerto de música de vanguarda. Joga com os registros, com os baixos, com as teclas, quando as executa. Bach é cheio, repentino de musicalidade intensa nas mãos dela.”
A partir das considerações do saudoso fundador da Academia Piracicabana de Letras, cumpre juntar, aos anais da nossa Casa, uma sucinta biografia de Rozany Martins de Barros Jorge. Ela nasceu em Piracicaba, no dia 16 de março de 1933, e faleceu em São Paulo, em 29 de julho de 1989. Na área didática publicou métodos e arranjos para acordeão por meio das maiores editoras do Brasil. Em 1957 fundou o Conservatório Dramático e Musical de Piracicaba. Duran¬te anos no Conservatório, formaram-se professores de música, nos mais diferentes instrumentos. A isso se acrescente a realização de dezenas de recitais com grande sucesso de público e crítica.
Em reconhecimento à sua intensa atuação na área cultural, Rozany recebeu ofício da prefeitura de nossa cidade, datado de 13 de julho de 1959, nos seguintes termos: “A atuação de V.Sa. em
racicaba, incentivando e promovendo o progresso dos mais variados ramos da Arte, merece a gratidão dos piracicabanos. Aceite, com minhas congratulações, meus protestos de respeito e amizade. Luciano Guidotti, Prefeito Municipal.”
Por suas atividades artísticas, Rozany foi agraciada com a Medalha Imperatriz Leopoldina, oficializada pelo governo federal. E, ainda, com a Medalha Benito Juarez, do México.
Todavia a consagração de Rozany veio a ocorrer por sua indiscutível genialidade ao interpretar as mais variadas músicas eruditas em seus concertos e recitais. Ela foi a primeira na América do Sul a executar um concerto para acordeão e orquestra sinfônica. Essa apresentação ocorreu na cidade de Santos. Em nosso municí¬pio, apresentou-se com a orquestra regida pelo maestro Benedito Dutra. Além de recitais em Piracicaba e na capital, Rozany se apresentou em muitas cidades do Estado de São Paulo, sob os auspícios do Ministério da Educação.
No exterior, foi por duas vezes capa da revista Fisarmonica, editada na Itália, em que mereceu as seguintes considerações: “Si a tenuto recentemente al Teatro Muinicipale de Santos un grande concerto per fisarmonica e orchestra de Pietro Deiro. Esecutori d’eccezione sono stati la famosa fisarmonicista Rozany de Barros e l’orchestra Sinfônica di Santos. Il concerto há avenuto um successo strepitoso, tanto che il pubblico há reclamato ed ottenuto alcuini bis.”
Das críticas recebidas, cabe destacar as seguintes: Jornal de Piracicaba, de 7 de junho de 1958: “Rozany M. de Barros Jorge confirmou suas magníficas qualidades de musicista. A Tocata em ré menor, de Bach, teve uma execução muito feliz, conseguindo a artista oferecer toda a beleza e majestade da imortal peça do mestre. Também a bela Fantasia Improviso, de Chopin, a Sra. Rozany interpretou com limpeza admirável, conseguindo todas as sutilezas emocionais que a página encerra. Finalizando o recital, ofereceu à plateia uma magistral interpretação da bela Rapsódia Azzurra, de Bio Boccosi.”
O Diário de Piracicaba, 7 de junho de 1958: “De Rozany M. de Barros, já consagrada pelo nosso público como acordeonista extraordinária e consumada, tudo o que se dissesse se enquadraria numa série de elogios irrestritos à técnica perfeita, à expressão vibrante, à personalidade singular e envolvente com que executou as 51 peças escolhidas.”
Além de Piracicaba, Rozany mereceu calorosas críticas em outras cidades. Entre as tantas, vale destacar as seguintes: Folha de Botucatu, 8 de outubro de 1958: “A Sra. Rozany demonstrou ser possuidora de uma vigorosa e brilhante virtuosidade que lhe permite obter do instrumento efeitos encantadores.” A Gazeta de Bo-tucatu, 16 de outubro de 1958: “Rozany estava fadada a empolgar o público seleto que compareceu ao recital. E foi o que conseguiu, como provam os intermináveis aplausos, que foram tais a arrancar-lhe um ´extra’ no final do programa.”
Para finalizar esta mal-alinhavada biografia, vale a pena lembrar que Rozany, além de ter sido capa da revista Mirante, de Piracicaba, mereceu de Renato Wagner (hoje nome de via pública em nossa cidade), que a entrevistou, as seguintes considerações: “Rozany Martins de Barros Jorge – estrela de 1ª. grandeza na constelação dos grandes artistas piracicabanos – merece sem favor o título de maior virtuose da harmônica surgida sob os céus da Noiva da Colina. Compositora, escritora e `virtuose´ da harmônica, Rozany é um dos mais belos ornamentos artísticos de nossa terra.”


Vida sem a morte


Este amor por ti, que me aquece intensamente,
encanta minha alma como a tenra inquietude
do primeiro beijo na verde juventude,
que despontou flóreo e não mais que levemente.

Embora de mim em corpo estejas ausente,
não esqueci tua generosa virtude,
que acalentou nosso destino em plenitude
no calor da paixão em nós sempre presente.


Hoje, na solidão que tanto me tortura,
carrego o peso da minha madrasta sorte,
algemado na mais tristonha desventura.


Mesmo assim uma luz ilumina meu norte,
para que eu possa ter a suprema ventura
do feliz reencontro da vida sem a morte.

Um comentário:

Anônimo disse...

As crônicas deste senhor são um bálsamo para qualquer coração sensível.BEM HAJA !!

Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz