Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria 2025/2028

Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Comemoração do Dia do Escritor em Piracicaba

Vários grupos literários de Piracicaba terão representantes no evento: Academia Piracicabana de Letras, Centro Literário de Piracicaba, Clube dos Escritores de Piracicaba, Grupo Oficina Literária de Piracicaba, Poesia ao Vento e Sarau Literário Piracicabano
Ana Marly, Esther Vacchi, Edson Di Piero, Carmelina Piza, Ivana Altafin, Ivana Negri, Madalena Tricânico, Leda Coletti, João Athayde, Esio Pezzato e Raquel Delvaje

Escritores piracicabanos irão comemorar seu dia com um evento na área de lazer da Rua do Porto, das 9h às11h, dia 21 de julho, sábado.
Árvore de livros
Haverá declamação de poemas, varal de textos, distribuição de livros autografados, contação de histórias, dramatizações, música a cargo do tecladista Coimbra e a presença do ônibus da biblioteca.
Evento aberto ao público e realizado pelos grupos literários de Piracicaba.

Distribuição de livros

Ana Marly, Raquel Delvaje, Ivana Negri, Leda Coletti, Carmen Pilotto e Aracy Duarte Ferrari

Blog do GOLP
                                                
Se chover, o evento será automaticamente cancelado.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Uma revelação gastronômica em Teresina

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Estou chegando de Teresina, onde tive a surpresa e a alegria de encontrar um amigo bem piracicabano.
Teresina é a única capital nordestina distante do mar. Nesse ponto, diferencia-se de todas as outras, o que lhe dá um caráter interiorano e provinciano muito peculiar, muito simpático e familiar para quem reside em Piracicaba.
As duas cidades têm, aliás, mais de um ponto em comum. Ambas gravitam, do ponto de vista cultural, em torno de rios. Lá, o núcleo primitivo que deu origem à cidade se estabeleceu próximo ao encontro dos dois grandes rios piauienses, o Poti e o Paraíba. São rios largos, piscosos e, pelo menos no trecho limitado deles que conheci, bem tranquilos, sem saltos nem corredeiras.
Indaguei o motivo de a capital do estado se ter situado longe do mar, caso único no Nordeste brasileiro. Explicaram-me que isso se deve a dois fatores. Primeiro, o ponto era, no passado, de importância estratégica e comercial muito grande. O porto de Teresina era passagem obrigatória de toda a produção de uma larga faixa do sertão. Produtos agrícolas, carne de sol, peles curtidas, minérios, tudo o que produzia o atual Piauí, assim como boa parte do oeste baiano, tinha forçosamente que chegar ao mar por via fluvial, passando por Teresina, que oferecia um porto bom e seguro.
Por outro lado, a cidade litorânea que teria vocação natural para ser a capital do Piauí, seria, segundo os piauienses, Sobral – que acabou ficando cearense, ao que parece em troca de certa região interiorana que o Ceará cedeu ao Piauí. Por isso, Teresina se impôs como a capital. Tem hoje cerca de um milhão de habitantes.
Depois de cumpridas as obrigações que me levaram até lá, na Universidade Federal do Piauí-UFPI, onde foi realizado o VI Simpósio Nacional de História Cultural, procurei conhecer algo da culinária local. Fiquei conhecendo um prato típico, chamado Maria Isabel – uma espécie de mexido de arroz branco bem durinho e seco, com carne de sol desfiada, cebola, alho, cheiro-verde e outros temperos. O Maria Isabel diferencia-se do risoto porque o arroz não é cozido junto com a carne, mas é juntado a ela depois de pronto. É, também, bem mais seco do que os risotos italianos. O sabor é ótimo, realmente vale a pena experimentar.
No último dia, quis conhecer um restaurante à beira rio, antigo e tradicional, chamado Pesqueirinho. Está há mais de 50 anos instalado no local. Lá, encontrei uma variedade muito grande de peixes de rio, e também alguns de mar. Atraiu-me a atenção um peixe chamado piratinga, oferecido no cardápio com molho de camarão, arroz branco e pirão.
De início, estranhei a mistura de camarão de mar com peixe de rio, e perguntei ao garçom se ficava bom mesmo. Ele sorriu e, com a fala calma e pausada característica do linguajar local, respondeu:  “Até hoje ninguém reclamou e todo mundo repete e pede de novo...”
Contra fatos não há argumentos. Decidi experimentar. E não me arrependi.
O peixe era oferecido em posta, para duas pessoas, ou em filé, para meia porção. Optei pela segunda opção. Alguns minutos depois, estava diante de uma fatia generosa de piratinga, bem assada, mergulhada num molho maravilhoso feito com farinha de mandioca, azeite de dendê, alguns outros temperos entre os quais se destacava o coentro (nunca ausente da comida regional), e coberta por camarões de bom tamanho. O arroz estava excelente e o pirão – que me pareceu ser o próprio molho, mais engrossado – era saborosíssimo.
O peixe, branco e tenro, de sabor muito suave e agradável, combinava perfeitamente, sem dúvida, com o molho “puxado” a camarão. Foi um almoço inesquecível. Sempre que retornar a Teresina, com certeza não deixarei de visitar o Pesqueirinho, para comer o mesmo prato.
Curiosamente, o peixe me parecia algo já conhecido. Eu sentia algo de familiar no seu sabor, na sua contextura, mas nunca tinha ouvido falar de um peixe chamado piratinga...
Retornando de viagem, tive curiosidade de procurar investigar que peixe era esse. Foi então que descobri que é precisamente o mesmo peixe que comemos aqui em Piracicaba, na Rua do Porto, com o nome científico de Brachyplatystoma filamentosum e a designação popular de filhote. Aqui, sabemos que o filhote é o piraíba até alcançar 60 ou 70 quilos. Depois desse peso, fica muito fibroso e duro, impróprio para ser consumido. Só salgado e seco, à maneira do bacalhau, pode ter alguma utilização, contudo mesmo assim poucos apreciam. Chega a alcançar mais de dois metros de comprimento, atingindo seu peso mais de 250 quilos. É considerado, a par do pirarucu, o maior peixe de água doce do Brasil e um dos maiores do mundo.
O nome piraíba designa o peixe adulto, com carne imprópria. Em tupi, pira (peixe) iwa (ruim). Piratinga já tem sentido mais favorável, significando peixe branco (tinga). Piratinga é, pois, só o filhote, antes de crescer, endurecer e ficar com a carne mais escurecida.
Confesso que foi uma alegria encontrar, em local tão distante, o filhote, um amigo proveniente da região amazônica, mas que se adaptou tão bem aos paladares piracicabanos e já é parte constitutiva da culinária da nossa Noiva da Colina.
Quem sabe se algum cozinheiro daqui, lendo estas linhas, não se anima a tentar preparar o filhote em filés, com molho e com pirão, à moda piauiense? Garanto que será um sucesso!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sonho de Violinista

André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs

Em silêncio chora meu violino,
mudo, triste e coberto de pó;
com saudade talvez de algum hino,
de uma valsa, bolero ou rondó.

Já não ouço seu  “mi-la-ré-sol”
das quatro cordas quando afinadas;
nenhum bequadro, nenhum bemol,
em suas vozes desativadas.

Saber que sonhei ser Paganini,
– estando Vivaldi junto a mim –
ensaiando as obras de Puccini,
de Gounod,  Rossini e Borodin.

Formamos nossa orquesta com:  Bach,
Beethoven, Sibelius, mais Tchaikovsky,
Mozart, Haydn, Chopin, Offenbach,
Schubert,  Schuman, Corelli e Mussorgsky.

Tocamos: “Vésperas Sicilianas”,
“A Traviata”, o “Nabucco” e “Aída”.
De Sarasate: “As Árias Ciganas”
interpretamos  com muita vida.

Depois, “Voluntário Trompetista”,
o “Largo de Xerxes” de Haendel;
em seguida, “A vida de Artista”,
por fim, “O bolero de Ravel”.

E ao findar-se meu sonho no vale
da noite, o maestro me sorriu!
O maestro, no sonho, era o “Mahle”...
Ernst Mahle... Me olhou e aplaudiu!

Aplaudiu-me por ter sido o “spalla”...(?)
(Que infeliz sonhador!... Vejam só!...
Eu que mal executo uma escala:
do, ré, mi – mi, fa, sol, lá, si, do)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

TANTAS VEZES

Alexandre Sarkis Neder
Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil

 Minhas lágrimas
vão sair dos olhos,
cair sobre o rosto,
com alegria ou desgosto

Como tantas vezes,
em que a pele rompeu,
e o espírito desceu.
Tantas vezes.

Confesso,
que chorei mais pelas tristezas
do que pelas alegrias.

Como uma brisa quente,
fiz meu sol delirante,
não como um calmante,
mas como uma neve.
Neve que em pouco tempo se derrete.

sábado, 14 de julho de 2012

Cultura e Academias Piracicabanas: raízes



 Samuel Pfromm Netto
                                                                  
Em 1988 Piracicaba pranteou o passamento de quatro notáveis intelectuais que marcaram substantivamente a história da cidade com seus escritos, empenhos e ações. Faleceram nesse ano Salvador de Toledo Piza Júnior, autêntico gigante da cultura, doutor honoris causa da Universidade de Berlim, escritor, professor e pesquisador emérito da ESALQ/USP; Benedicto Evangelista Costa, o professor Costinha, formado pela ESALQ e pela Sud e docente desta última por longo tempo, pintor e musicista dos mais talentosos; Affonso José Fioravante, igualmente formado pela Sud e pela Cristóvão Colombo, bacharel em direito no Rio de Janeiro, educador notável que exerceu altos cargos administrativos, com uma folha riquíssima de serviços relevantes prestados no Piracicabano e na área de ensino em geral. O quarto desaparecido, no início de dezembro, foi personagem das mais fulgurantes (e controversas) da inteligência noivacolinense na segunda metade do século passado: João Chiarini. Talento polimorfo, foi livreiro, escritor, jornalista, advogado, professor, autoridade das mais respeitadas entre os estudiosos do nosso folclore, político, agitador popular... A cidade deve-lhe uma biografia detalhada, bem fundamentada e inteligente, que analise tudo quanto este intelectual de sete instrumentos fez ao seu tempo e cujo acervo de milhares de livros, periódicos, folhetos e documentos foi confiado ao Centro Cultural Miss Martha Watts em 2006.
Loquaz, inquieto, controverso e corajoso, partícipe ativo em uma infinidade de movimentos e ações de caráter cultural desde meados do século vinte, Chiarini brilhava como poucos nas rodas da inteligência piracicabana, notadamente entre a gente moça, desde os anos 40. Incomodava muita gente pela franqueza e vasta cultura e gozava de merecida popularidade tanto em Pira como no país e no exterior. Seu largo círculo de amigos e correspondentes (com os quais trocava cartas facilmente identificáveis pelos envelopes com letras coloridas de imprensa, espécie de marca registrada de JC), cabe-lhe com inteira justiça o título de talento fulgurante. Tinha uma memória incrível para fatos, datas, pessoas, lugares, acontecimentos. Uma enciclopédia viva.
A João Chiarini devem os piracicabanos a sua primeira e autêntica Academia: a Academia Piracicabana de Letras, de que foi fundador e presidente vitalício até seu falecimento. Criou igualmente o Centro de Folclore de Piracicaba (não sei se sobrevive), com um prestígio que cruzou oceanos e o torna conhecido e reconhecido como inconteste autoridade nesse domínio, até então marcado por improvisações, palpites sem fundamento e superficialidade. Há um não mais acabar de nomes que com ele privaram e corresponderam: Jorge Amado, o cineasta Alberto Cavalcanti, os Camargo Guarnieri, Sérgio Milliet, os Andrade (Mário, Oswald), Mário Neme e tantos, tantos outros.
De todos os galardões que enfeitam a biografia de Chiarini, certamente a mais notável são a idealização e a efetiva fundação da nossa primeira Academia de Letras, com essa denominação oficial, há quatro dezenas de anos. Foi a Academia sui generis porque, ao contrário das demais, que geralmente têm um quadro de titulares limitado de quarenta integrantes, a de Chiarini tinha um número ilimitado (!) de acadêmicos e admitia pessoas vivas como patronos. Virtude para uns, defeito para outros, essa característica singular, a Academia era invenção e obra de João Chiarini, que se desdobrava na presidência para garantir o funcionamento da entidade. Após estas quatro dezenas de anos, está na hora de exumar (que espero não tenha sido perdida) toda a documentação referente à Academia e contar em pormenores a sua história.
O pioneirismo de Chiarini em 1972 – há quarenta anos! –, na verdade, deu prosseguimento a uma história mais ou menos obscura de um bom punhado de iniciativas no âmbito cultural da Piracicaba de antanho. Iniciativas como a criação da Sociedade Propagadora da Instrução no século dezenove e o surgimento da Universidade Popular de Piracicaba em 25 de agosto de 1910. No precioso livrinho que imprimiu na Bélgica em 1910, M. S. Ferraz aponta a Universidade Popular como “instituição respeitável e utilíssima”, que desenvolvia um programa ambicioso de palestras e cursos sobre literatura e ciências, ensino de idiomas e saraus lítero-musicais de que participavam os mais expressivos nomes da vida cultural e artística da cidade (“Piracicaba e sua Escola Agrícola”, 1912). Em 1925 surgiu a Sociedade de Cultura Artística, liderada por Fabiano Lozano e sob a presidência de Antônio dos Santos Veiga. Outros tempos... Em 1939 nasceu a Biblioteca Pública Municipal, que passou a agasalhar iniciativas, reuniões e eventos que marcaram o passado cultural piracicabano. Quando a sua sede passou a ser a área superior do Teatro Santo Estêvão, ali fundamos, com o apoio de Leandro Guerrini e a participação de um grupo de saudosos amigos e entusiastas, o Clube Piracicabano de Cinema, responsável por projeções de filmes, conferências, debates, cursos e outros eventos de caráter cultural, entre os quais palestras verdadeiramente inesquecíveis de Sérgio Milliet, Dulce Salles Cunha, Carlos Ortiz, Almeida Salles e muitos outros.
No início dos anos cinquenta, um grupo de moços unidos no entusiasmo por temas de literatura, arte e cultura em geral reunia-se na redação do “Jornal de Piracicaba”, à rua Moraes Barros, dando origem à página dominical “Literatura e Arte” no Jornal de Piracicaba, que coordenei juntamente com Oswaldo de Andrade.
Das iniciativas e realizações na Piracicaba dos anos sessenta, sob o patrocínio do Departamento de Cultura (com C maiúsculo) do município, fez parte o inesquecível Simpósio de Estudos Piracicabanos, realizado em novembro de 1967, com sessões sobre artes e literatura, folclore, lenda, história e genealogia, educação e ensino, geografia e geologia de Piracicaba, medicina e assistência social..., sendo criado nessa ocasião o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, sob a liderança de Archimedes Dutra, Jair de Toledo Veiga e Flávio Moraes Toledo Piza. Tempos saudosos...
Clubes, associações, instituições e atividades como as que são aqui mencionadas refletem inegavelmente, ao longo de mais de um século, o espírito Acadêmico-Cultural (com A e C maiúsculos!) que, num sentido lato, caracteriza as autênticas Academias, já que esta designação, nestes últimos tempos, passou a identificar entidades para práticas esportivas, escolas de samba e de capoeira e até academias de secos e molhados.
Bem haja, pois, a Academia Piracicabana de Letras que, nestes começos de novo milênio, recupera o sentido original da denominação e retoma em Piracicaba uma tradição caríssima e venerável cujas raízes estão solidamente fincadas no solo fecundo do Jardim de Academos, o solo da cultura clássica dos tempos de Platão e Aristóteles.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

ECOLÓGICO (microconto)


Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme
Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges

Fechou o livro, jogou- o no lixo, correu para a internet, procurar como reciclar ideias.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Jubileu de Carvalho da Revolução Constitucionalista de 1932


Dossiê Especial

Jubileu de Carvalho da
Revolução Constitucionalista de 1932


Associando-nos às comemorações que serão realizadas em nossa cidade e em todo o Estado de São Paulo, no próximo Nove de Julho, relembrando a gloriosa
Revolução Constitucionalista de 1932,
aqui publicamos algumas peças literárias evocativas dessa epopeia:


Oração ante a última trincheira

Guilherme de Almeida


                                                                Agora é o silêncio...
É o silêncio que faz a última chamada...
É o silêncio que responde:
— "Presente!"

Depois será a grande asa tutelar de São Paulo,
asa que é dia, e noite, e sangue, e estrela, e mapa
descendo petrificada sobre um sono que é vigília.

E aqui ficareis, Heróis-Mártires, plantados,
firmes para sempre neste santificado torrão de
chão paulista.

Para receber-vos feriu-se ele da máxima
de entre as únicas feridas na terra,
que nunca se cicatrizam,
porque delas uma imensa coisa emerge
e se impõe que as eterniza.

Só para o alicerce, a lavra, a sepultura e a trincheira
se tem o direito de ferir a terra.

E mais legítima que a ferida do alicerce,
que se eterniza na casa
a dar teto para o amor, a família, a honra, a paz.

Mais legítima que a ferida da lavra,
que se eterniza na árvore
a dar lenho para o leito, a mesa, o cabo da enxada,
a coronha do fuzil.

Mais legítima que a ferida da sepultura,
que se eterniza no mármore,
a dar imagem para a saudade, o consolo, a benção,
a inspiração.

Mais legítima que essas feridas
é a ferida da trincheira,
que se eterniza na Pátria,
a dar a pura razão de ser da casa, da árvore
e do mármore.

Este cavado trapo de terra,
corpo místico de São Paulo,
em que ora existis consubstanciados,
mais que corte de alicerce, sulco de lavra,
cova de sepultura,
é rasgão de trincheira.

E esta perene que povoais é a nossa última trincheira.

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que deu à terra o seu suor,
a que deu à terra a sua lágrima,
a que deu à terra o seu sangue!

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que é nossa bandeira gravada no chão,
pelo branco do nosso Ideal,
pelo negro do nosso Luto,
pelo vermelho do nosso Coração.

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que atenta nos vigia,
a que invicta nos defende,
a que eterna nos glorifica!

Esta é a trincheira que não se rendeu:
a que não transigiu,
a que não esqueceu,
a que não perdoou!

Esta é a trincheira que não se rendeu:
aqui a vossa presença, que é relíquia,
transfigura e consagra num altar
para o voo até Deus da nossa fé!

E pois, ante este altar,
alma de joelhos a vós rogamos:

— Soldados santos de 32,
sem armas em vossos ombros, velai por nós!
sem balas na cartucheira, velai por nós!
sem pão em vosso bornal, velai por nós!
sem água em vosso cantil, velai por nós!
sem galões de ouro no braço, velai por nós!
sem medalhas sobre o cáqui, velai por nós!
 sem mancha no pensamento, velai por nós!
sem medo no coração, velai por nós!
sem sangue já pelas veias, velai por nós!
sem lágrimas ainda nos olhos, velai por nós!
sem sopro mais entre os lábios, velai por nós!
sem nada a não ser vós mesmos, velai por nós!
sem nada senão São Paulo, velai por nós!

 

                           Os jovens de 32

                                                                                       Paulo Bomfim

Onde estais com vossos ponchos,
Os fuzis sem munição,
Os capacetes de aço,
Os trilhos do trem blindado,
O lema de vossas vidas
A saga de vossos passos,
Ó jovens de 32!

Em que ossário vossa audácia
Fala aos que dormem por fuga,
Em que campo vossa morte
Clama aos que morrem em vida,
Em que luta vosso luto
Amortalha os tempos novos
Ó jovens de 32!

Voltai daquelas trincheiras,
Voltai de vosso martírio,
Voltai com vossos ideais,
Voltai com os de Julho,
Voltai ao chão ocupado,
Voltai à causa esquecida,
Voltai à terra traída,
Voltai, apenas voltai,
Ó jovens de 32!


             Canção de um menino piracicabano

           Francisco de Castro Lagreca                           


Este é o valor da terra estremecida,
É o poema à glória piracicabana!
Pela Pátria a lutar, vida por vida,
Tombaram com bravura soberana!

Dor e martírio de uma raça forte,
Que a luz e o ideal de um sentimento novo!
Sobre estas pedras não existe a morte,
Porque não morre quem defende um povo!


(Estes versos, que ornam o monumento ao Soldado Constitucionalista,
na praça central de Piracicaba, foram escritos pelo poeta Francisco Lagreca aos treze anos de idade.)

domingo, 8 de julho de 2012

Acadêmicas são juradas no 2o Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba

Comissão de seleção e premiação do Segundo Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba em reunião  nas dependências da Biblioteca Municipal: acadêmica da APL Ivana Maria França de Negri, cartunista William Hussar, acadêmica da APL Carla Ceres Oliveira Capeleti e professora Josiane Maria de Souza, faltando na foto o jurado Jaime Leitão. A também acadêmica Carmen Pilotto foi escalada para fazer a revisão final do livro com os cem microcontos selecionados que será  lançado no dia da premiação.
Microcontos premiados:
1o lugar: Maria Clarice Sampaio Villac de Campinas
OFF-LINE
Vaidoso, vivia nas redes sociais.
Um dia, ao se buscar no Google, teve uma crise de identidade...Sem backups, acabou se deletando.

2o lugar: Rita de Cássia Rocha Teixeira
FOME
Chegou cansado e faminto. Tinha olhos apenas para a geladeira, que reservava idolatrada torta. Surpresa! Gritaram farelos debochados.

3o lugar: Rui Trancoso de Abreu
MÁQUINA DO TEMPO
Queria voltar ao passado. Construiu a máquina; ligou e vapt. Viu-se no escuro e pegajoso. Ouviu bem próximo: Cesariana?

A cerimônia de premiação acontecerá no anfiteatro da Biblioteca Municipal no dia 25 de agosto, às 16h, horas antes da abertura oficial do 39º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, no Engenho Central.





SERVIÇO – Cerimônia de premiação do 2° Concurso Literário de Microcontos de Humor, sábado, 25 de agosto, às 16h, na Biblioteca Municipal (rua Saldanha Marinho, 333, Centro, Piracicaba). Entrada gratuita. Informações: (19) 3403-2615, contato@salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br ou www.salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br. 




Assessoria de imprensa do 39º
Salão Internacional de Humor de Piracicaba
Marcela Delphino | marcela.delphino@gmail.com | (19) 9645-0009
Rodrigo Alves | rasilva@gmail.com | (19) 9147-5733

quarta-feira, 4 de julho de 2012

VELHICE: O QUE É ISSO?

Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       
            Veja bem, o possível leitor, que surgem, de imediato, nas linhas do título desta quiçá milionésima crônica minha, dois vocábulos significativos sobre o tema pretensamente abordado por mim: velhice e decano.
            Ser velho não é curvar-se bisonhamente ao peso dos muitos anos. Não é reclamar do vazio físico, social, espiritual, humano enfim, com que a vida contempla os que ultrapassam os 80. Não é deitar no leito do nada fazer aguardando a hora de partir para a eternidade. Não é locupletar consultórios médicos ou hospitalares com visitas constantes e nem sempre necessárias , na tentativa inútil de repelir  para longe aquilo que é próprio de todos os mortais, feitos de carne e ossos que  o tempo se compraz em achacar e destruir. Não é encastoar-se  numa torre de isolamento, renegando tantas coisas belas e boas que a vida costuma oferecer a qualquer um de nós, mesmo que a companhia dos anos seja numerosa e desagradável.  Não é ainda – ser velho -  renunciar aos amores familiares, aos sonhos gostosos, aos anseios de vencer, aos desejos de divertir-se, às possibilidades de conquistar novas amizades, novos relacionamentos, novos conhecimentos artísticos, científicos; de renunciar à leitura de livros, jornais, revistas; de deixar  de sentar-se diante da tevê para assistir disputas esportivas, novelas glamorosas, noticiário nacional e internacional, filmes novos e antigos; e por último, diria, ser velho não é jamais jogar a vontade de lado, no lixo, e deixar de escrever crônicas, artigos, romances, poesia, pintar, transmitir novas teorias, novos princípios políticos, participar da vida institucional do país e acompanhar tudo quanto em outras nações acontece...
            Isto seria não ser um velho legal, e o contrário disso, seria, logicamente, SER VELHO. Prematuramente, desnecessariamente SER VELHO!
            A velhice – a boa velhice – deve ser amada, como um dom divino, como um prêmio da vida, como um valor inarredável da existência, como um modelo que deve permanecer no seio da sociedade, para ser imitado, para ser guardado, para ser cultuado. E às crianças, aos jovens, aos adultos e aos outros velhos, de qualquer sexo ou condição humana, cumpre ver com olhos de ouro aqueles a quem  o tempo elegeu para viver muitos anos, aqueles que vêem o horizonte do ocaso já bem próximo, iluminado como um convite a ser seguido, serenamente, à espera da noite sem fim e da eternidade .

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Revista número 5 da Academia Piracicabana de Letras


Editor e jornalista responsável: Acadêmico Armando Alexandre dos Santos

 Apresentação
 Vem a lume mais um número da nossa revista. A regularidade e o nível dessa publicação atestam a fecundidade e a operosidade da Academia Piracicabana de Letras. Dificuldades não faltam, mas com a graça de Deus e a boa vontade dos nossos companheiros, temos conseguido superá-las, levando para adiante a tocha acesa em 1972 – há precisamente 40 anos – pelo idealismo de João Chiarini.
 O presente número é o primeiro que sai nesta nova gestão, após a eleição dos quadros dirigentes para o triênio 2012/2015. A diretoria foi quase integralmente reeleita, registrando-se apenas a entrada do Acadêmico Gustavo Jacques Dias Alvim, como vice-presidente, e do Acadêmico Gregório Marchiori Netto, como integrante do Conselho Fiscal. O Acadêmico Armando Alexandre dos Santos, que constava inicialmente da chapa para ser reeleito como vice-presidente, solicitou não permanecer nessa função, mas prontificou-se a continuar atuando como diretor e editor da nossa revista, para a qual tem projetos de ampliação e melhoramentos.

Venho, em nome de todos os companheiros da nova Diretoria, agradecer a confiança em nós depositada pelos Acadêmicos que nos reelegeram, e pedir que continuem colaborando conosco neste esforço comum, em prol das Letras e da Cultura da nossa amada Cidade de Piracicaba.

Tenham todos muita inspiração e fecundidade literária!

                                                 Piracicaba, 31 de maio de 2012

                                         Maria Helena Vieira Aguiar Corazza
                                                                   Presidente


Índice


Jubileu de Carvalho da Revolução Constitucionalista de 1932 (dossiê)
Samuel Pfromm Netto – Cultura e Academias Piracicabanas: raízes (colaboração especial)
Alexandre Sarkis Neder – Tantas vezes
André Bueno Oliveira – Sonho de Violinista / Caridade / Prudência
Antonio Carlos Fusatto Solidão branca / No Tanquã / Marina / Querer/ Tentativa / Verão
Antonio Carlos Neder – Medicina, realidade, problemas e soluções
Armando Alexandre dos Santos – O Arquipélago da Madeira: história, cultura e tradições
Carla Ceres Oliveira Capeleti – Zevers, o esquecido
Carlos Moraes Júnior – O passo à direita / O pára-quedista do desespero
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto – Cantiga de adultos /  De saudades e reencontros /  A Biblioteca em todas as suas possibilidades e Eu, o Bibliófilo / Anatomia de Piracicaba
Cássio Camilo Almeida de Negri – A mutação das fadas / O tempo e o ponto  / Caminhando e meditando     
Cezário de Campos Ferrari – Toque mágico
Elda Nympha Cobra Silveira – Janelas que falam
Elias Jorge – Ninguém lamentará
Elias Salum  – Indagações
Evaldo Vicente – “Pulverizar”, sim, Antonietta
Felisbino de Almeida Leme – No vai e vem , Sapucaia também / Brilho Divino
Geraldo Victorino de França – Ameaças ao meio ambiente / A Ecologia e as plantas / Esclarecendo algumas dúvidas
Gustavo Jacques Dias Alvim – Declaração de amor aos livros
Ivana Maria França de Negri – Caderno de receitas
João Baptista de Souza Negreiros Athayde – De rimas e não rimas... e outros formatos mais
João Umberto Nassif – Mais histórias de Ariranha /  Causos de Ariranha (II) /  O General Caneta
Leda Coletti – Amor de Estação /  Ciclos /  Frieza
Lino Vitti – Um estranhável conselho /  Despedida /  Amo a luz /  Cicatrizes
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza – Amor na tarde
Marisa Amábile Fillet Bueloni – Idade
Mônica Aguiar Corazza Stefani – Poema de verão / Primavera 1 / Primavera 2 / Primavera 3
Myria Machado Botelho – A difícil tarefa de escrever
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme – Acordem seus instrumentos / Não teça conjecturas antes do diálogo, pois o resultado pode ser desastroso
Valdiza Maria Caprânico – Laços de família e saudade
Waldemar Romano – Fatos e curiosidades de nossa Academia
Noticiário – APL em ação

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz