Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria 2025/2028

Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Reminiscências de Piracicaba


Antonio Carlos Fusatto

De repente... abri a janela de minha vida e deparei-me com o alvorecer de uma existência setuagenária.
No horizonte, nuvens doiradas pelo sol do dia nascido, uma brisa leve passeia pelas folhas das árvores embalando-as suavemente, a fragrância das flores no ar, incansáveis colibris em harmoniosa coreografia bailam de flor em flor, sobre a relva, intensa revoada de insetos e, tendo como fundo deste cenário, o azul cerúleo.
Neste devaneio, o pensamento vagueia pelo tempo e direciona a atenção ora para o passado ora para o presente, a alma estremece, vibra diante das recordações, a sensibilidade é mais forte que palavras e sons; traz-me à lembrança a piracema do caudaloso Piracicaba, cardumes de peixes tentando transpor o Salto, como brocados enfeitando o Véu da Noiva; a velha ponte do Mirante com passarela de madeira e, a guarita do guarda da Sorocabana, cheia de cestos e jacás de bambus, construídos entre uma passagem e outra da "Maria Fumaça", como forma de passatempo e reforço de salário; o jardim da ponte com suas frondosas árvores quase engolindo o coreto; as pescarias noturnas e escondidas, no Salto do Piracicamirim dentro da ESALQ; das chaminés do Engenho Central, soltando fumaças negras voluteando no ar; das cerâmicas da Rua do Porto, contrastando com a densa mata ciliar e harmonizando-se com a Vila dos Pescadores. Ouço: o inconfundível sino do bonde, tocado pelo cobrador a cada passagem recebida, o berrante ao longe anunciando a chegada de mais uma boiada com destino ao matadouro, as melodias das orquestras tocando nos Clubes Coronel Barbosa e Cristóvão Colombo. A Banda Marcial “Cel. F. F. da Costa” (Escola Industrial) com seu garboso uniforme e eclético repertório musical, arrancando aplausos e provocando emoções em todas as apresentações, e da qual tive a honra e felicidade de ser integrante. A orquestra “Pedrinho e sua Orquestra”, formada em sua maioria por músicos da Corporação Musical “União Operária”, presença constante em grandes bailes da região. As brincadeiras dançantes animadas pelos inesquecíveis conjuntos musicais da cidade: Os Megassons, Os Cambitos, Super Som Sete, dentre outros que me fogem à memória; o som ensurdecedor dos teares da Fábrica de Seda, na Vila Rezende, e da Fábrica Boyes, o apito do trem chegando às 22:00 horas na Estação da Paulista, a algazarra dos engraxates na Praça José Bonifácio – disputando possíveis clientes para engraxar os sapatos. Em todo alvorecer, a quebra do silêncio pelos garotos jornaleiros em frente a tipografia do Jornal, aguardando liberação para as entregas domiciliares. A alegria da garotada ora brincando nas águas do cristalino Itapeva, ora jogando futebol com bola de borracha, bolinhas de gude, rodando pião, corrida de pega-pega, batendo figurinhas, entre tantas outras brincadeiras.
As meninas, brincando de roda e cantando canções folclóricas - hoje quase totalmente esquecidas -, pulando corda, amarelinha, jogando porquinhos, brincando de casinha com bonecas e tantas outras.
De repente... volto ao presente: o velho Piracicaba, qual esqueleto leuquêmico, curvado sob o peso da poluição, carregando toneladas de resíduos.
O jardim da Ponte não mais existe, o negrume do asfalto contrastante com a alvura das edificações: todo o verde foi engolido... E a velha "Maria Fumaça"? O bonde? O troar das boiadas na ponte? O cheiro gostoso de melado de cana do Engenho Central? O bosque da Casa do Povoador, com seu murmurante regato? Os saraus dançantes com famosas orquestras e conjuntos musicais? O encontro da boemia nas madrugadas, no Bar Bola Sete? O Jardim da Cerveja com músicas ao vivo? E as românticas serenatas?
Das cerâmicas da Rua do Porto, somente altivas chaminés persistem no tempo, como dedos da natureza em riste, denunciando o homem por suas agressões nefastas à natureza.
O Jardim da Cerveja cedeu espaço para o glorioso Cursinho “Luiz de Queiroz”; as serenatas ainda são relembradas com eventuais “Noite da Seresta”, em pontos estratégicos da cidade o que nos causa pequeno consolo e muito saudosismo; os prédios do Engenho Central resistem ao tempo e graças ao seu tombamento é hoje ponto turístico e de encontros sócio culturais da cidade.
Ah! Que nostalgia, que poder de juventude carrega meu coração; pulsa entusiasmo.
O tempo, na minha memória, vibra a emoção misteriosa das noites de luar, a estender réstias de pratas pelas árvores, telhados e o rio, e os acordes de violões seresteiros nas madrugadas frias. Bailes juninos nos terreiros, muitas vezes à luz de lampiões, e as brincadeiras com busca-pés. Os bate-papos nas calçadas até altas horas da noite, sem preocupações com seguranças.
Essas emoções ou ansiedades povoam o meu espírito, dando-me a sensação de que vivo perenidade.
Empolgado, o arrebatamento leva-me a cantarolar meio desafinado alguns boleros; enquanto irradiam ainda mais minhas emoções. Vem-me à lembrança o Trio ITOJUVAL composto por: Júlio carteiro, Toninho e Valter, presença constante nas noites piracicabanas e nos programas radiofônicos das: “A Voz Agrícola do Brasil” e PRD-6 “Rádio Difusora de Piracicaba”, interpretando com maestria o repertório do saudoso Trio IRAKITAN.
O passado deixou saudade, nostalgia, há canções que machucam o coração, pela poesia, melodia e ritmo das notas musicais.
Como é interessante o subjetivismo humano!
Em meu peito permanece a nostalgia de ontem, o que será amanhã?
Recomponho à mente todo o itinerário percorrido nas asas do tempo, e sinto que, no âmago do meu ser, ainda palpita forte a juventude, ainda há um garimpo de energias vitais.
Minh'alma é um relicário guardando inúmeros papéis, sou mais um protagonista no belo espetáculo da vida, cujo palco é o mundo e o tempo interminável.



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lembranças do Bicentenário de Piracicaba


Ivana Maria França de Negri

Finalzinho dos anos dourados, 1967. Eu,  pré-adolescente, com doze primaveras incompletas. Os festejos do Bicentenário de Piracicaba, nessa época, me marcaram profundamente.
Nossa Noiva da Colina era ainda uma cidade interiorana onde quase todos se conheciam. Mas crescia muito depressa sob o comando do dinâmico prefeito Luciano Guidotti.
Não havia shoppings e os pontos de encontros da juventude eram na saída da missa da Catedral, em algum barzinho, como o Karamba´s Lanches, nos cinemas como o Politeama, Palácio e Broadway, na bombonnière do Passarela ou no Jardim da Cerveja.
Os Beatles eram os ícones, e o iê-iê-iê e a Bossa Nova encantavam os adolescentes.
O movimento “Paz e Amor” dos hippies, se alastrava, e aumentavam as comunidades que rejeitavam produtos industrializados, o consumismo desenfreado, pregando o fim das guerras e ampliação dos direitos.
Tempo de passar as férias escolares em Santos, descer a serra de fusca, o que era uma aventura! Nem se falava em cinto de segurança e a criançada se espremia  no porta-malas que ficava dentro do carro. Uma festa!
As bebidas eram Crush e Cuba-Libre. Crianças não tomavam Coca-cola, só em ocasiões especiais. Bebiam laranjadas e limonadas que suas mães e avós preparavam, geralmente com as frutas colhidas frescas no pé, do quintal das residências.
Nossa casa estava um alvoroço porque minha irmã mais velha, Maria Graziela,  aos 15 anos, tinha sido convidada para participar do concurso que elegeria a Miss Bicentenário. O baile de gala seria no Clube Coronel Barbosa,  o top da cidade na época. Tempos de black-tie, smokings e ternos feitos sob medida com coletes, camisas com barbatanas, abotoaduras e vestidos vaporosos, rendados e bordados. Os convites para os bailes de gala pediam traje a rigor. E os que não estivessem de acordo eram barrados nas festas.
Os penteados eram bem elaborados, coques, cachos, apliques e litros de laquê, que os mantinham firmes, duros, sem desabar. Os “play boys” usavam cabelos bem compridos, uma afronta aos mais velhos, adeptos do corte quase zero dos barbeiros. Também havia os que usavam topetes à La Elvis Presley.
As roupas seguiam o estilo da atriz Brigitte Bardot, tubinhos e minissaias. Já para os rapazes, quem ditava a moda eram os Beatles, o famoso quarteto de Liverpool, com blusas de gola role e terninhos de pernas ajustadas.
Minhas tias, modistas finas – naquela época não havia muita opção de roupa pronta para comprar – sempre a postos com suas fitas métricas, tesouras, agulhas e linhas. Confeccionaram um lindo vestido para minha irmã que foi aclamada pelos jurados como a mais bela, sendo eleita a Miss Bicentenário de Piracicaba, recebendo o cetro, a capa e a coroa, que seriam dela por cem anos!
Eu não podia frequentar os bailes por conta da pouca idade, mas ficava “nos bastidores” participando de tudo. Para mim foi tudo muito mágico!
O tempo passa célere, mas não apaga as lembranças que ficam indelevelmente impregnadas em nossa memória. Saudades de minha mãe, das minhas tias e de um tempo que não volta mais.
E Piracicaba, no auge dos seus duzentos e cinquenta anos, continua sendo adorada, cheia de flores e de encanto, com seu famoso rio que “joga água pra fora quando chega a água dos olhos de alguém que chora de saudade”...

sábado, 29 de julho de 2017

Assembleia da APL


ACADEMIA PIRACICABANA DE LETRAS
Caros acadêmicos:
Com as nossas cordiais saudações, informamos que a Academia Piracicabana de Letras realizará uma Assembleia Geral, no próximo dia 16 de agosto, às 19h30, na Casa do Médico, ocasião em que será comemorado o 250º aniversário de Piracicaba, com palestra alusiva a essa data. Estamos prevendo, como pauta, também, a recepção de mais dois membros efetivos, homenagens e apreciação da proposta de reforma do estatuto da nossa entidade.
Oportunamente, faremos a convocação oficial por meio de Edital na imprensa e envio de email ou correspondência postal, conforme determinação estatutária. O que pedimos, agora, é que reservem em suas agendas a data acima referida, pois gostaríamos de ter a presença de todos os acadêmicos nesse evento, lembrando que visitantes convidados serão bem-vindos.
Atenciosamente,
Gustavo Jacques Dias Alvim
Presidente

terça-feira, 25 de julho de 2017

Dia do Escritor


O Dia do Escritor é comemorado em 25 de Julho. Todos os anos os grupos literários CLIP e GOLP organizam um evento diferente para comemorar.
Neste ano, vão deixar livros e textos espalhados em vários locais da cidade. Em clínicas, hospitais, praças, academias, quem encontrar um livro, poderá pegar e levar para ler e depois de lido,  passá-lo adiante, para que mais pessoas possam usufruir da leitura. E também, quem quiser, pode espalhar livros por aí!
Livros tem que ter pés para caminhar e asas para voar!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

25 de Julho - Dia Nacional do Escritor



Ivana Maria França de Negri

Todos os anos, os grupos literários de Piracicaba promovem algum tipo de evento para comemorar o Dia do Escritor.
Já foram feitas palestras, distribuição de textos, eventos no Casarão do Turismo, na Praça José Bonifácio, na área de lazer da rua do Porto e em muitos outros lugares.
No ano passado, a comemoração foi no Recanto dos Livros, um sebo organizado por voluntários que fica dentro do Lar dos Velhinhos, com centenas de títulos à venda, cuja renda reverte-se para o Lar. Foram homenageados escritores piracicabanos já falecidos. Foi emocionante ver as famílias lerem poemas e textos dos entes que já partiram, mas que continuam encantando com seu legado literário.
Neste ano, os escritores dos grupos literários CLIP (Centro Literário de Piracicaba) e GOLP (Grupo Oficina Literária de Piracicaba) vão colocar em prática projetos que existem em vários estados brasileiros.
Aqui em Piracicaba, o projeto idealizado por Carmen Pilotto e eu, intitula-se “Livro com Pezinhos”, que consiste em incentivar as pessoas a passarem adiante os livros que já leram.
Livros são como as pessoas, se não caminharem, se exercitarem e tomarem ar fresco, adoecem. E se não forem folheados constantemente, adquirem fungos, traças, mofo, ficam empoeirados e obsoletos, perdendo a função primordial que é levar cultura aos leitores. Já o livro caminhante, fica saudável durante toda a sua vida útil, cumprindo exemplarmente sua função.
Uma amiga do Rio Grande do Sul tem um projeto semelhante que se chama “Livros com Asas”, porque os livros precisam voar, diz ela!
Na internet rola o chamamento “Esqueça um Livro”, estimulando o desapego literário, deixando livros em bom estado em vários locais neste dia 25.
Os escritores do CLIP e do GOLP vão deixar livros em consultórios, lanchonetes, centros culturais, cabeleireiros, bancos, com bilhetinhos grampeados explicando que os livros podem ser levados para casa, mas com o compromisso das pessoas que os levarem, de passarem adiante depois de lidos. Após a leitura, podem ser repassados para alguém, doados para bibliotecas de bairros, para o  Recanto dos Livros ou mesmo serem deixados em outros locais, sempre com o bilhete explicativo do que se trata.
O convite para participar do projeto se estende a todos os piracicabanos. É só a pessoa escrever um bilhetinho explicativo, grampear nos livros e deixá-los onde for mais fácil, em algum local perto de suas casas, onde haja boa circulação de pessoas.
Um livro parado, esquecido numa estante, não traz cultura, nem alegria, nem diversão e nem sabedoria para ninguém! Mas o livro caminhante, cumpre sua função de entreter, instruir, encantar e promover mudanças! Não quebre a corrente do Bem!



segunda-feira, 17 de julho de 2017

infantilidade

Newman Ribeiro Simões
Cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres

(para Manoel de Barros)

Minhas desequilibradas palavras
são o luxo do meu silêncio.
                                   (Clarice Lispector)

palárvores
balançam ao vento
e cumprem a impermanência
de não serem elas mesmas
apoemando-se
metaforadamente.

aguando desertos
passarando árvores
pedrando córregos limpos
arvorando ruas
barulhando silêncios
florando securas dessa mina de afetos
doçando o sal que abrasa mares
aforando de interiores escuros
solarando tristezas
domingando quaresmas
argilando sonhos
sapando brejos
pirilampando espaços desluados
vidrando transparências
marmorando seixos
janelando paisagens pálidas
granitando silêncios
            num pacto com a mudez
carinhando carícias
noitando tardes que não querem
 deixar o dia
parindo sonhos de sonos apertados
            entre cansadas vias.

vou arquitetando passos
(sem entregar minha vida
ao passante tempo)
e metaforando olhares,
 por esta
infantilente.

           

                        

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Lembrança de Jorge “amado” Chiarini

Evaldo Vicente
 Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz

Nunca é demais falar, em Piracicaba e especialmente no âmbito da Academia Piracicabana de Letras (APL) – que, neste 11 de março, completa 45 anos de fundação –, de João Chiarini, o professor, o jornalista, o escritor, o tribuno e, acima de tudo, do animador cultural que Piracicaba pode ter séculos pela frente. Sua obra poética, “Argamassa”, um conjunto de manifestações sociais em versos livres, será a grande divisora de águas do seu trabalho intelectual, tenho certeza. É que, ainda, um crítico da área, técnico, não parou para analisá-la profundamente.
E falar do “amado” João Chiarini sem falar de Jorge Leal Amado de Faria, para quem conheceu bem o primeiro, parece que não tem graça. E, dos mais brilhantes jornalistas de Piracicaba, Roberto Antonio Cera, o Cerinha, sabe bem, muito bem, a que me refiro. Numa certa roda, qualquer que fosse, Chiarini chegava e falava de Jorge Amado, o escritor, com desenvoltura, sossego, quase tudo de cor e salteado, e que havia ligado para ele ou que Jorge tinha lhe telefonado. E se alguém lhe perguntasse de que Jorge – dizia ele apenas Jorge, sem o Amado – “qual Jorge?”, tranquilamente um nome feio saia daquela língua ferina.
É que Jorge Amado, já com Zélia Gattai, foi padrinho de casamento de João Chiarini e Tita – apelido carinhoso de dona Iraídes –, a sempre doce Tita que nos recebia com afeto na casa dos chás gelados da rua Santo Antonio. De tantas histórias e tanta leitura, pois era ela, a Tita, a grande devoradora de livros e mais livros da imensa biblioteca do autor de “Argamassa”. Talvez lenda, mas se dizia que, no dia do casamento, Chiarini deixou a jovem esposa e ficou, horas e horas, a conversar com o seu “amado” Jorge Amado e, lógico, com Zélia e a própria Tita. Lua de mel, naquele tempo, ficou para depois! Lenda? Não sei.
Era sonho de Chiarini que o laureado e louvado escritor baiano viesse em 1972, naquela tarde de 11 de março, um sábado, no antigo prédio da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), para a instalação da sua (e nossa) sonhada Academia Piracicabana de Letras, hoje presidida pelo acadêmico Gustavo Jacques Dias Alvim, vereador à época e que representou o Poder Legislativo de Piracicaba em tão concorrida cerimônia. Não veio Jorge, o “amado” de Chiarini, mas vieram figuras destacadas da cultura na época, como Flávio Carvalho, Norlândio Meirelles de Almeida – o doutor em Castro Alves – e um sobrinho-bisneto do autor de “Navio Negreiro”, então diretor da Aços Villares, empresa da família em São Bernardo do Campo.
E muito se falou de Jorge Amado, “amado” de João Chiarini, naquela sessão solene, cheia de medalhas e até medalhões, de pessoas simples, pescadores, cantadores de cururu, violeiros, sanfoneiros, que foram prestigiar o professor e mestre do folclore caipiracicabano, João Chiarini – o livro “Cururu” basta como citação – já assentado ao lado do “pai” Luis da Câmara Cascudo e do paulista não menos famoso e sempre mestre Alceu Maynard de Araújo. Imponente, ao lado de João Chiarini, a figura mais perfeita do caipiracicabanismo, o professor Thales Castanho de Andrade, autor de “Saudade” e de tantas histórias que se seguiram para os sonhos do mundo infantil.
A academia que herdamos de João Chiarini era mais do que os personagens de Jorge Amado. Tudo diversificado, liberado, livre dos preconceitos exportados pela França, como Gabriela, descobrindo e impondo um mundo novo, uma nova história. O Jorge “amado” de Chiarini, foi o patrono, na instalação da APL, do não menos consagrado escritor Cecílio Elias Netto, que, na época, colhia os frutos do sucesso de “Um Eunuco para Ester”, romance, que tocava o clarim a uma sociedade que viria a reconhecer como ser humano os homossexuais, as lésbicas, enfim.
Amado, Jorge Leal de Faria, foi padrinho e orgulho de Chiarini, João. E todos tinham que saber, sem qualquer aviso, que, quando falasse de Jorge, o autor de “Argamassa” estava falando do autor do “País do Carnaval”. Várias vezes fui advertido e até ofendido por Chiarini em tentar citar um outro Amado, James, irmão mais novo de Jorge. Autor de “Chamado do mar” (de Ilhéus), James sequer era lembrado na roda de Jorge “amado” Chiarini, o João.

sábado, 8 de julho de 2017

O VAZIO, É CHEIO ...


André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs



Vazia   ─ minha caixa de segredos ─
não tem mais emoções para ocultar.
Vazio de paixões a lhe assaltar,
meu tolo coração baniu seus medos.

Vazio de tormentas e torpedos,
meu mar, com muito sonho a poetar,
tornando à calmaria secular,
uniu-se à solidão de seus rochedos.

Afirmo que o VAZIO é enganoso!
Fazendo-se não visto,  é volumoso...
tem alma e corpo e vida e tem beleza!

O espaço sideral, ( vazio???)  é lindo!
Pequeno a nosso olhar, é grande... infindo!
É Pai e precursor da Natureza!



segunda-feira, 26 de junho de 2017

LABOR POÉTICO


Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31
Patrono Victorio Angelo Cobra

O Poeta trabalha, e seu duro trabalho
É visto com desdém, como um porto inseguro.
E sua inspiração mais lembra um espantalho
Feito de trapos sobre um monte de monturo.

O Poético Labor não serve de agasalho.
Ao corpo mais aquece o espírito, que é puro.
Cada rima tem brilho e o sol é como o malho
Que traz Força, Beleza e Saber sobre o escuro!

O hipócrita condena os versos do Poeta,
Mesmo assim ele, em transe, as suas rimas medra
E tudo o que ele sente em cantos interpreta.

Só o Poeta consegue em inóspita trilha
De ímpia mina tirar as lascas de atra pedra,
Dar-lhe a lapidação e deixá-la com brilho.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

FESTAS NO ARRAIÁ


Elda Nympha Cobra Silveira

Que noites frias de junho!
São noites de S.Antonio,
S. Pedro e S.João.
Com a caneca em punho,
Quero tomar meu quentão!
Com muita pinga e gengibre,
Pedindo a Deus que me livre,
De ficar meio doidão,
Senão olho pro céu
E não vejo o balão,
Que sobe bem de mansinho,
Levando pros treis santinho,

Meus pedido de montão!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Nova revista da APL


Capa e contracapa da revista da APL de número 14, publicada pela editora Audaxia
Foto da contracapa de autoria de Ivana Negri - Balão na Ponte Estaiada - Piracicaba - 2017
134 páginas de 29 acadêmicos

MINHAS BANDEIRAS DA PAZ


André Bueno Oliveira
Cadeira n° 14 - Patrona: Branca Motta de Toledo Sachs

Adoro a nuvem branca em céu sereno,
a brisa virginal das madrugadas,
a luz rubro-carmim das alvoradas,
o som da passarada em canto pleno!

Eu amo da cascata o pranto ameno,
os rios de minha infância:  as enxurradas...
Poeta infante-idoso, eu creio em fadas,
que aos céus proveem estrelas, num aceno!

Não dá para aceitar que um ser humano,
ansioso por tornar-se soberano,
destrua os seres vivos desta terra!

Países, povos, lares dizimados...
Os sonhos, fauna, flora, decepados...
                                    Não posso concordar que exista a guerra!

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz