Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria 2025/2028

Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

O relógio de minha avó


O relógio de minha avó
Ivana Maria França de Negri

.Reencontrei-o muito deteriorado, com a caixa consumida por cupins, ponteiros fora de lugar, vidros quebrados e faltando a chave de corda.
Fiquei triste porque pertenceu aos meus avós maternos que se casaram no início do século passado.
Não podia simplesmente jogá-lo fora... Fazia parte de toda uma saga familiar de imigrantes italianos que vieram de navio para o Brasil.
Não me recordo desse relógio na casa de minha avó, pois eu era muito pequena, mas lembro-me dele já na casa de minha mãe, que o herdou de seus pais quando ambos  faleceram. Ficava num lugar privilegiado da sala de jantar, onde presenciou almoços festivos, jantares de Natal, aniversários, bodas,  batizados e outras comemorações.        
E fico imaginando-o na parede da casa da Governador, residência de meus avós, que ficava entre as ruas XV e Rangel. O teto bem alto como era usual nas casas antigas, e ele marcando o tempo numa época em que não havia computadores, artigos eletrônicos, telefones e nem televisores. Os relógios eram peças essenciais. Elegantes, mas barulhentos, badalavam a cada quinze minutos alguns, a cada hora outros. Testemunhos de alegrias, tristezas, nascimentos e partidas. Quantas crianças cresceram sob a marcação do tic-tac dos segundos, minutos e horas desse relógio.
Posso sentir os olhos azuis de minha avó grávida, olhando de quando em quando para seus ponteiros, enquanto bordava o enxoval, contando o tempo para o nascimento de suas crianças, treze no total, dez que vingaram. Os partos, feitos em casa mesmo, com auxílio de parteiras.
Imagino-a suspirando, sob a cadência do pêndulo, quando os filhos, já moços, demoravam para chegar, quando viajavam de trem e tudo era longe e difícil.
Quantos segredos  ele presenciou? Se pudesse falar, quantas histórias teria para contar? O pêndulo em seu vai e vem ininterrupto avisando que era hora de dormir, hora de acordar, hora de brincar, hora de cuidar da horta, hora de comer. De quantas intimidades foi testemunha muda, abraços, carinhos, beijos, sermões quando os filhos faziam algo repreensível, natais e aniversários.
Antigamente os relógios eram peças fundamentais numa casa,  verdadeiras obras de arte, muitos artesanais, entalhados à mão,  a maioria de fabricação inglesa, duravam uma vida inteira, passando de geração em geração. Exerciam um fascínio irresistível nas pessoas por serem os marcadores do tempo,  essa incógnita.
Hoje, relógios são descartáveis. Parou, jogou. Pra que consertar se um novo fica mais barato? Peças de plástico, quebrando à toa, tudo vindo da China, neste mundo virtual dependente cada vez mais das tecnologias, de internet e da energia elétrica. Geramos toneladas de lixo. Nada mais tem valor. Não tenho bola de cristal para saber o que virá no futuro. Pessoas se reúnem em grupos de sites, de whatsapp, tudo  virtual. Não há mais troca de abraços, de sorrisos, de calor e energia física.
Encontrei um bom relojoeiro e um artesão habilidoso, que restauraram o mecanismo e a caixa de madeira.
Relógios sempre fizeram parte da magia infantil. O do castelo que badalava à meia noite  quebrando o encanto da Cinderela, o relógio do Coelho Branco da Alice,  e o carrilhão onde se escondia do lobo o cabrito esperto da história dos sete cabritinhos.
E esse contador do tempo,  que veio de tão longe de navio, embalado pelos sonhos de minha avó, continuará sua tarefa silenciosa de marcar o tempo de minha família, espargindo a energia boa dos ancestrais que certamente velam por nós.


(Texto publicado na Gazeta de Piracicaba)


quinta-feira, 11 de maio de 2017

SER MÃE

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
                

Ser mãe é a poesia,
que dá vida à mais harmoniosa poesia.
Assim, de toda união quando bem nascida,
surge para o mundo, crianças mui queridas.
                                                           Criança tem a beleza d’um poema,
                                                           e a candura divinal.
                                                           Tenra flor, alma serena,
                                                           abençoada obra-prima angelical.
Ser mãe é poesia,
é vida gerando vida!
Qual nota procurando nota,
pra harmonizar uma melodia.
                                                           Gerar vida é semente, é como gota d’orvalho,
                                                           mostrando toda grandeza do Criador.
                                                           Qual rubra rosa a florir num vaso,
                                                           mãe é: um símbolo de amor!
Ser mãe é, tarefa interminável,
é perder horas de sono, é dedicação e calor.
É abelha que produz amor,
mais doce que favo de mel.

                                                           Ser mãe é Maria,
                                                           em pé frente à cruz.
                                                           A mater dolorosa, toda lacrimosa,
                                                           olhando o Filho que pendia!...

sábado, 29 de abril de 2017

Lançamento do livro de Nair Barbosa sobre Marechal Rondon

O Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba lançou mais uma obra. 
Desta vez, relatos sobre Marechal Rondon, pela escritora Nair Barbosa de Almeida Leme, já falecida.
Os rascunhos foram encontrados por Pedro Caldari

(Fotos: Ivana Negri e Edson Rontani Jr)








terça-feira, 25 de abril de 2017

QUAL É A SUA GRAÇA?

Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 -
Patrono: Laudelina Cotrim de Castro


Qual é a sua graça?
Maria da Graça.
Fale sério, não faça graça.
É sério, não sei bancar a engraçada.
Mas, também, não precisa ficar sem graça.
Aliás, você é uma gracinha.
Você diz isso para me deixar sem graça.
Não é isso. A verdade é que estou engraçado por você!
Pois eu não o quero nem de graça.
Ah! Sua desgraçada !
Tenho recebido tantas graças! 
Mas, isso não mais vai acontecer.
Graças a Deus.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O poder encantatório da literatura infantil


Ivana Maria França de Negri

            Por mais que a era da globalização se apresente cheia de novidades e ofereça farta e atraente gama de opções às crianças, tais como internet, videogames, livros virtuais, nada substituirá a magia de pegar um livro e lê-lo do começo ao fim. Aquele sentimento gostoso de cumplicidade, de sentar no cantinho preferido e degustar cada página gulosamente.
            Já no início do aprendizado das primeiras letras, quando já pode decifrar sozinha o código da escrita e dominá-lo, a criança adentra ao reino encantado dos livros. É um caminho sem volta ao mundo da fantasia e do sonho. Quando se pega o gosto de ler não se abandona jamais. É o melhor vírus que se pode adquirir e deixar-se contaminar.
            Quem não se lembra da emoção das primeiras leituras na infância? Até mesmo muito antes de aprender a ler, esse mundo nos era apresentado através das histórias da carochinha dos Irmãos Grimm ou de Andersen, que eram pacientemente contadas por nossos pais, tias e avós. Esses contos permitiam que adentrássemos o portal encantado onde fadas, anões, feiticeiros, heróis, príncipes e princesas viviam as mais apaixonantes aventuras. Aquilo tudo nos levava a um mundo tão maravilhoso, que, mesmo após nos tornarmos adultos, um cantinho dentro de nós ainda teima em manter viva essa memória que eventualmente aflora e dá vazão aos nossos sonhos.
            Atualmente não se poupam críticas ao herói aprendiz de bruxo, Harry Potter, recorde de vendas na área de literatura infanto-juvenil, verdadeira febre mundial. Não se pode negar seu mérito, já que é tudo uma questão temporal. Monteiro Lobato criou o universo do Sítio do Pica-Pau Amarelo, num cenário bucólico e campesino de fazenda, bem ao gosto da época. Hoje, os heróis passeiam em aeronaves, conhecem galáxias, seres extraterrestres e viajam no tempo. Tudo faz parte do contexto de uma certa época da história. O que não se pode perder, de maneira alguma, é a magia, o magnetismo encantado que a leitura exerce no imaginário infantil.
            Nem só a parafernália virtual faz concorrência com os livros infantis, mas também existem as dificuldades econômicas que a população enfrenta. O livro não é um artigo barato, visto que é necessária uma edição bem feita, em boas editoras. Não é costume usual oferecer livros de presente às crianças em seus aniversários. Numa época em que tudo vem da China a preços “quase de graça”, pode parecer dispendioso dar um livro de presente a uma criança, quando uma  série de bugigangas descartáveis e inúteis é encontrada a preços imbatíveis. Como o livro é um artigo considerado durável, e bem conservado pode ser útil a várias gerações, deveria haver um estímulo dos governos nesse sentido. A propaganda poderia incentivar: - dê um livro de presente a uma criança e ela ganhará de presente o mundo! Para os menorzinhos, sempre há a opção das edições ilustradas, de vários materiais, indo do tecido ao plástico, laváveis, atóxicos, tudo adaptado à idade do pequeno leitor. O fascínio das figuras e desenhos sempre aguçará mais a fértil imaginação infantil.
            A prova de que a literatura infantil não morreu é a grande quantidade de autores especializados nessa área e o crescente interesse dos editores em obras inéditas e recheadas de novidades para essa exigente faixa de público.

            Incentivar a leitura é o instrumento que forjará o gosto de ler pelo resto da vida. Como dizia o poeta: “Feliz o que semeia livros...”

sábado, 8 de abril de 2017

Falando de Saudade

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco
Saudade é um misto do passado remoto, outras vezes de algo bom que aconteceu recentemente. Nem sempre sabemos definir satisfatoriamente esse sentimento, ora gostoso, ora dolorido. Talvez isso aconteça, porque as emoções novas se encontram com as antigas...
Na cadência melódica das músicas de bossa-nova, revivemos a leveza de um banho de mar; ao ouvir músicas românticas evocamos um amor com final infeliz, precedido de noites suaves de amor, com madrugadas cheias de serestas, tendo a lua como cúmplice desses venturosos momentos.
Sempre associo à palavra saudade, outra que aprecio muito: esperança. Ela motiva uma vida cheia de alegrias, não importa se mescladas de nostalgias, mas dá a certeza de que estamos vivos e prontos para viver intensamente o presente.


Os sonhos que viraram realidade
foram momentos de felicidade,
transformaram a vida em suavidade.
deixando apenas gostosa saudade.

Quando as ilusões são levadas por súbita tempestade,
as lembranças se tornam doloridas saudades.

Com diferentes matizes
a vida fica bonita
e esses momentos felizes
muita saudade  suscita.

quinta-feira, 30 de março de 2017

DESPERTAR DA ROSA


Elda Nympha Cobra Silveira.

Espreguiçando-se e sorrindo,
O botão foi pétala por pétala
Se abrindo,
Numa explosão de beleza.

Despertada pela luz do sol,
Seu olor espargiu por sobre o jardim.
Borboletas vieram cheirá-la e...
Voluptuosamente embriagadas,
Beijaram e sugaram seu mel.
A rosa pressentiu enfim,
E... docemente apaixonada
Entrelaçou-se no jasmim!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Discurso de posse da acadêmica Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins


Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins
Patrono - Nelson Camponez do Brasil - Cadeira no 26

Boa Noite, a todos os Acadêmicos Presentes e Convidados

Estou me sentindo feliz e honrada nesta noite por integrar a partir de hoje, a Academia Piracicabana de Letras.
Afinal, há muitos anos acompanho este grupo seleto a exercitar a cidadania, a promover atividades voltadas à Literatura, a publicar artigos polêmicos e valorosos, quer relacionados ao cotidiano, à datas históricas, a assuntos políticos e outros, quer apresentando matérias específicas e abrangentes, ou contos, crônicas e poesias.
Deste grupo, muitos já se foram... Outros aqui presentes, com o mesmo objetivo de dedicação ao cumprimento das normas estabelecidas e o dever prazeroso de reuniões regulares e decisões importantes em prol da cultura da nossa querida Piracicaba.
Tenho encontros assíduos com alguns acadêmicos ao participar dos grupos literários da cidade, outros,  os encontro em festividades, comemorações culturais ou em lançamento dos próprios livros ou de outros escritores.
Estar ocupando a Cadeira no. 26,  cujo patrono é o Professor Nelson Oliveira Camponez do Brasil, formado pela Escola Normal de Piracicaba, futura Sud Mennucci, ilustre Diretor de Escola, Pedagogo, Educador, reconhecido e renomado Historiador, a se dedicar a redescobrir nossa cidade, divulgando através de estudos, pesquisas e publicações, fontes históricas da Terra amada, é sem dúvida uma honra.  Dupla alegria para mim, pois tive o prazer de conhecer seu filho, engenheiro agrônomo, Professor Dr. Moacyr Oliveira Camponez do Brasil Sobrinho, amigo do meu saudoso esposo, ambos docentes da ESALQ.
Quero, neste momento especial, deixar registrados alguns fatos importantes para mim, pois trazem algo de mágico enraizado no coração e marcaram-me pessoal e profissionalmente.
Um deles, ter sido apresentada ao Centro Literário pela brilhante poetisa Maria Cecília Machado Bonachella,  saudosa amiga.  Depois, ter reencontrado Rosaly Curiacos de Ameida Leme, após tantos anos, desde nossa infância e juventude no Colégio Nossa Sra. da Assunção, a qual me convidou várias vezes e realmente desejou que eu entrasse para a Academia. Outros amigos leais, amigas mais próximas, todos que me incentivaram e torceram por mim. Vale lembrar aqueles que publicaram em jornais, folhetos ou cadernos literários textos ou poesias da minha autoria, como Maria Cecília Machado Bonachella, Carmen Pilotto,  Ivana Negri, Ana Marly Jacobino,  Ludovico da Silva, e Evaldo Vicente, em seu jornal, exatamente  há vinte e seis anos. E abraçando minha causa, Aracy Duarte Ferrari e Leda Coletti  a me “intimarem” a preencher a proposta.
E as tardes poéticas com Esio Pezatto, na antiga Biblioteca Pública?  E o carinho do saudoso Poeta Lino Vitti presenteando-me com seus livros através dos seus netos, meus alunos?
Pensando em  tudo isso,  no entusiasmo dos que me cercam, desde o berço familiar ,  a torcida de todos, velhos  e atuais amigos, meu amor às letras, certamente somados  aos desígnios divinos, levaram- me a esta conquista.
Estou, na verdade,  realizando um sonho, afinal sempre contei com o incentivo e a confiança do meu querido Paulinho, que acreditava no dom da escrita e no meu amor pela Literatura.
Estar tomando posse hoje, juntamente com Vitor Vencovsky que nos visitava desde garotinho com seus pais, queridos amigos. Meu esposo e eu éramos jovens naquela época e ansiávamos por suas visitas dominicais.  Estar ao lado do Mestre, Professor Newman Simões, com quem trabalhei por doze anos no Colégio CLQ.  Seu filho Ricardo foi meu aluno, bom amigo até hoje, através de quem pude ser avaliada em relação às atividades literárias desenvolvidas. Isso me proporciona segurança.
Para encerrar meus felizes registros, o fato do Professor Dr. Francisco de Assis Ferraz de Mello, Pesquisador, Escritor, Poeta, ter se afastado por motivo de saúde e mudança, e ter-me proporcionado seu próprio espaço para eu ocupá-lo. Alego tudo isso a “encaixes divinos”. Obrigada, amigo Chico Mello. Você segue comigo lado a lado. Procurarei fazer jus à sua atuação e contribuição  como   acadêmico e  honrar seu talento poético.

Só me resta agradecer a todos, familiares, filhas e genros, netos maravilhosos, dois deles presentes nesta noite de gala,  amigos e acadêmicos e  acrescentar de Violeta Parra, na voz de Mercedes Sosa um verso que traduz minha alegria: “ Gracias a la vida que me ha dado tanto”!

sexta-feira, 17 de março de 2017

Somos todos Nhô Lica


Ivana Maria França de Negri

Quem já ouviu falar do Nhô Lica? Os mais antigos devem se recordar desse personagem pra lá de curioso, mas os mais jovens não têm ideia de como surgiu essa figura lendária e folclórica que viveu em Piracicaba.
O escritor e poeta, Francisco de Assis Ferraz de Mello, o nosso querido Chico Mello, por ter algum parentesco com Nhô Lica, escreveu um livro contando a vida desse homem incomum, que por um tempo morou com sua família. Seu nome de batismo era Felix do Amaral Mello Bonilha. Dizem que nasceu normal, e viveu normalmente até um raio cair sobre sua cabeça e ele ficar com um certo desequilíbrio mental. Passou para a história como o sonhador que garimpava pedras preciosas, que nada mais eram do que pedregulhos, mas se considerava o homem mais rico do mundo!
Quem de nós nunca colecionou “preciosidades” que só têm valor para nós mesmos? Minha irmã Fernanda coleciona canecas e objetos de gatinhos -  eu também tenho esse tipo de coleção, pois amo gatos. Minha amiga Carmen coleciona xícaras, de várias épocas e países, uma mais linda do que a outra.
Existem colecionadores das peças mais bizarras e inusitadas. Tem gente que coleciona selos, tampinhas de garrafas, latinhas, sacolas, bonecos, moedas, adesivos, ímãs de geladeira, enfim, tudo pode ser colecionado e isso acaba virando um hobby e às vezes, uma obsessão! Tem até quem colecione esposas ou maridos...
Pois bem, o Nhô Lica colecionava pedras preciosas. Só que eram pedregulhos comuns, que recolhia das ruas e da beira do rio, mas que para ele, eram valiosíssimos. E os levava ao banco para que o gerente os guardasse. E o gerente, com todo respeito, aceitava e depois, certamente, dava um fim. Ele costumava doar as pedras “preciosas” para a igreja também, achando que estava contribuindo com a paróquia. Dizem que o Monsenhor Rosa as guardava. Um dia essas pedras foram colocadas no alicerce da construção da catedral, como um tributo ao sonhador Nhô Lica que faleceu em 1954.
 Na lápide de seu túmulo, no cemitério da Saudade, está escrito: “Milionário de Ilusões”. Em seu livro, “O lendário Capitão Nhô Lica”, Chico Mello diz: “E assim o homem, que pela vida sonhou com brilhantes, após a morte repousa sob a maior de todas as suas pedras. E para sempre. E em paz. Foi construído por uma ação entre amigos. O grande milionário não teria dinheiro para adquirir uma só das pedras.”
Confesso que também tenho minhas preciosidades. Uma azeitona que colhi de  uma oliveira numa praça de Verona, um figo que veio da Turquia, que “roubei” de uma figueira de um sítio arqueológico, uma folha de plátano do Central Park de Nova Iorque, um raminho de lavanda de Gramado, uma pinha da Ilha da Madeira, uma amarula da África do Sul, conchinhas das praias que frequentei na infância, e por aí... As frutinhas se mumificaram, mas quando as pego, parece que adquirem vida, relembro onde as capturei, o local, sinto até os perfumes e emoções do momento!
Tenho uma pasta só com desenhos dos meus filhos quando crianças e os cartões que me ofertaram. Sei que essas coisas só têm valor para mim. Um dia quando eu não mais estiver por aqui, serão jogadas fora, pois ninguém vai imaginar que se tratam de preciosidades, de valor inestimável!
Por essas e outras é que afirmo, somos todos Nhô Lica, com nossos sonhos, nossas verdades, nosso mundo de quimeras, nossos tesouros,  e nossas pequenas (ou grandes) loucuras...

sexta-feira, 10 de março de 2017

Posse dos novos acadêmicos

Em reunião festiva seguida de coquetel, tomaram posse os cinco novos acadêmicos: Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins, Ésio Antonio Pezzato, Vitor Pires Vencovsky , Newman Ribeiro Simões e Edson Rontani Júnior
 Waldemar Romano, Antonio Fuzato, Gustavo Alvim,Cássio Negri e Carmen Pilotto 


































Os cinco novos integrantes: Ésio, Vitor, Lourdinha, Newman e Edson




















Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz