Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria

Diretoria da Academia Piracicabana de Letras

Presidente– Gustavo Jacques Alvim
Vice-Presidente– Cassio Camilo Almeida de Negri
Primeiro Secretário – Carmen Maria da Silva Fernandes Pilotto
Segundo Secretário – Evaldo Vicente
Primeiro Tesoureiro – Antônio Carlos Fusatto
Segundo Tesoureiro – Waldemar Romano
Bibliotecária – Aracy Duarte Ferrari

Conselho Fiscal

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domingo, 23 de janeiro de 2011

Jóias do Mar - Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira no 21

Patrono: José Ferraz de Almeida Junior

Na praia nos livramos do peso das responsabilidades acumuladas, das energias negativas que nos causam tantos malefícios e relaxamos, para seguirmos, assim num dia nublado, o mesmo ritual do sol preguiçoso, que não querendo trabalhar tempo integral, aparece e desaparece a seu bel-prazer. Na praia só fazemos coisas importantes, como chutar as ondas, que chegam espumando de cansaço por terem vindo de terras distantes, respirar ou até pisar numa concha. Para mim, as conchas são um dos tesouros trazidos do fundo do mar, que as vagas lentamente, como que por acaso, lançam na areia lisa e dourada. A concha se ofereceu aos meus pés e segurá-la com as duas mãos, como se fosse um presente, porque ela veio acompanhada de um laço feito de algas, foi uma deliciosa aventura. Como conhecê-la por dentro foi prazeroso! Forçar para que se abrisse e mostrasse seus mistérios interiores; sorrir ao ver, no meio daquela geléia nacarada, uma pérola negra, que rutilante, fulgia com todo esplendor, contagiando o seu redor com tons róseos e de madrepérola. E pensar que toda essa maravilha surgiu de uma lágrima causada por um grão de areia... Como se a natureza, numa sábia decisão, conseguisse compensar a dor com uma esplendorosa obra de arte!
Esse presente inesperado, com aquela pérola tão maravilhosa, era demais para mim! Para mim, naquele momento, só a concha bastava! Aquela concha que lutara muito para se desprender do rochedo, que buscara o ápice da sobrevivência, mas que fora arrebatada pela fúria do mar bravio. Mesmo a contragosto ela veio rolando com a maré até chegar perto de mim. Como se previsse que não sobreviveria nas areias quentes da praia ela veio entregar-me seu tesouro, e eu, sem pensar naquele gesto nobre, simplesmente a matei. Comecei a questionar, mas concluí que ela morreria de qualquer jeito mesmo, quer sob o sol, ou nas areias quentes. Que maneira infantil eu inventava para encobrir a minha falta. A natureza sempre nos dá tudo e de nós nada tira. Seria tão difícil para eu entender isso? Não tem mais volta! Esse meu ato foi definitivo, infelizmente. Foi um ato do humano que ainda tem muito que aprender com as maravilhas naturais, para que se atreva a entender do seu próprio fato de existir. Restou para mim o consolo de guardar a pérola, quem sabe para fazer com ela uma jóia e entregá-la para alguém que amo muito, seria uma pérola para outra pérola da minha vida: como de graça recebi, de graça darei, a alegria que senti ao receber, seria por certo, multiplicada, quando a desse, como se num elo fraterno, o bem fosse passado de minhas mãos para outras mãos, como se algum tipo de energia fosse se renovando ao se unirem o inorgânico e orgânico numa simbiose de interioridades.
Assim deve ser a vida: com seus segredos não desvendados, com seus questionamentos ainda não resolvidos e suas dúvidas perenes e imemoriais, porque nossas mentes não evoluíram o suficiente para captar as forças inerentes da criação e saber fazer bom uso delas. Nada é por acaso... Deve haver um significado real para certos momentos, mesmo que não o saibamos ler nas entrelinhas das situações que se apresentam em nossa vida.
Essa compreensão me deixou mais aliviada... Lavei a concha e voltei para casa, colocando-a junto das outras, que serviam de enfeite para o tampo quadriculado da mesa de centro, cheio de areia, conchas, búzios, estrelas-do-mar, cobertos com um vidro, como se fosse um quadro.

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Galeria Acadêmica

Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
André Bueno Oliveira - Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
Antonio Carlos Neder - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
Carla Ceres Oliveira Capeleti - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
Cezário de Campos Ferrari - Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz do Amaral
Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
Ésio Antonio Pezzato - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
Felisbino de Almeida Leme - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
Geraldo Victorino de França - Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
Gregorio Marchiori Netto - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
Gustavo Jacques Dias Alvim - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - Cadeira n° 26 - Patrono: Nelson Camponês do Brasil
Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
Olívio Alleoni – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
Sílvia Regina de OLiveira - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
Valdiza Maria Caprânico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz