Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria 2025/2028

Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

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domingo, 6 de dezembro de 2015

Desrespeito à Flora e à Fauna

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco
                                                     
Em Gênesis (cap.1, versículos 11,25,27,31), vemos referências à criação do mundo. Primeiro, as plantas... “árvores que deem frutos sobre a terra, frutos que contenham semente, cada uma segundo sua espécie...” Após, alusão aos seres vivos, sobretudo os animais domésticos. Finalmente, Deus disse: “ Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”...e conclui que tudo que foi criado “ era muito bom”.
A natureza e tudo que nela foi criado, é presente maravilhoso que recebemos gratuitamente das mãos divinas. Para nós, homens, foi o dado o poder de por ela zelar, mantê-la em equilíbrio. O benefício dessa atenção, se demonstrada, só nos traria alegria e bem-estar. Digo traria, porque a nossa realidade é bem outra. Seja perto de nós, na própria cidade em que se reside, seja em outros pontos do país e até do universo, essa ordem divina não é obedecida. É só abrir as manchetes e constatamos o mal que é feito à flora e à fauna. Pessoas despidas de sentimentos nobres estão exterminando nossas florestas, permitindo que exploradores estrangeiros e até brasileiros se apossem delas. Os animais estão sendo banidos das matas e as espécies estão sendo exterminadas. Nas cidades e até no meio rural significativa parte dos moradores está abandonando seus animais domésticos em locais públicos, expondo-os aos mais sérios riscos, tornando-os candidatos a precoces e estúpidas mortes. Se não desejavam que seus animais procriassem, por que não tomaram as devidas providências? Gastam muitas vezes com o supérfluo e se esquecem (?) dos principais deveres de donos responsáveis: castrar, vacinar, alimentá-los e cuidar da saúde dos mesmos. Afinal, eles se alojam nas suas residências, daí serem chamados de domésticos, permanecendo a maior parte de seus dias nesses recintos, até mais que os proprietários. Muitos cães são os guardiões das famílias. E a fidelidade “canina”, o “chamego” de um gato amoroso não contam na convivência familiar? É tão gratificante sentir-se amado “de verdade” por animais tão especiais! Por que repudiá-los e permitir que se tornem animais abandonados? Quanta ingratidão para com esses seres que não têm voz para se defenderem! Deixo para reflexão uma mensagem de livro de minha autoria: “366 Reflexões do dia-a-dia”: Se os animaizinhos procuram oferecer-nos momentos de alegria e prazer, por que não retribuirmos esse toque de amor com outro toque de amor?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Rio Doce (in memoriam)

(arte Paulo Coimbra)

Ivana Maria França de Negri

Era uma vez um rio... Doce, piscoso, de águas límpidas. E um povo que o amava e dele retirava seu sustento: água, peixes, e o utilizava como meio de transporte através de barcos e balsas.
Rodeado de vegetação abundante e rica fauna silvestre, era o orgulho dos povos ribeirinhos.
Mas um dia, uma tragédia de proporções gigantescas se abateu sobre eles. Rompe-se uma das barragens de dejetos de uma mineradora. E a sopa de lama e resíduos poluentes invade casas, igrejas, lojas, rios, nascentes, destruindo o que encontra. Como uma grande boca vomitando lodo e detritos, com sua língua pegajosa grudando em tudo e deixando rastros de destruição. O caldo grosso se locomove por quilômetros. Ninguém consegue deter a massa de lodo. Luta vã tentar contê-la. Animais marinhos, domésticos e silvestres sucumbiram aos milhares. A fauna das matas ciliares foi dizimada.
O pasto virou lama e o gado não pode beber a água barrenta e contaminada.
 Ambientalistas contabilizam que cerca de um trilhão de organismos vivos, incluindo vidas humanas, morreram no desastre.
A água potável passa a ser o bem mais precioso, todos implorando por uma garrafa do líquido cristalino para beber.
O vale colorido torna-se monocromático: tudo marrom, um rio de barro. Barqueiros olham o rio lamacento e lamentam. Lágrimas rolam em seus rostos marcados. O velho rio Doce vai ficar apenas na memória deles. Seus netos só saberão da beleza do Vale através de fotos, imagens e filmes.
Será que um dia esses lugares renascerão das cinzas como a lendária Fênix? Não dá para prever... Mas podemos esperar mais tragédias a longo prazo. Síndromes e doenças diversas, oriundas do contato com metais que estão se infiltrando no solo e poluindo as águas. Ninguém sabe o que podem causar essas substâncias tóxicas, os metais pesados. Só o tempo dirá!
A catástrofe vai caminhando, como uma centopeia, contaminando tudo. E o rio de lodo chega ao mar. O impacto ambiental é incalculável. Mais de 120 nascentes soterradas.
Vale do Rio Doce agora é o Vale da Morte. O cheiro de podridão que emana dos cadáveres insepultos é insuportável. Cidades inteiras foram dizimadas. Viraram  cemitérios de lama.
O que fizestes, Homo Sapiens???
Quem vai recuperar as águas doces? Quem vai trazer de volta à vida os mortos? Quem ressuscitará a rica fauna que abundava nesses locais?
Esse crime não tem perdão!
Que o Criador de todas as coisas tenha piedade de vós no dia do acerto de contas final.
E que o Rio Doce e suas cidades fantasmas “Requiescant in pace”.


(Texto publicado na GAZETA de Piracicaba em 25/11/2015)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Esquinas improváveis

 Carla Ceres Oliveira Capeleti
Cadeira n° 17 - Patrona: Virgínia Prata Gregolin 

Todas as cidades têm seus cantos secretos: ruas que se cruzam em momentos estranhos, lugares que surgem dependendo do estado de consciência de quem os encontra. Em Piracicaba, um desses espaços mágicos fica no cruzamento da Rosário com a Tiradentes. É uma pequena loja sem nome, com uma placa anunciando “Manuais, guias e tutorias sobre qualquer assunto imaginável”. Meu amigo Luís esteve lá.
Tinha que ser o Luís para descobrir uma esquina onde duas ruas paralelas se encontram! Acontece que ele bebe um pouquinho demais, gosta de escrever poesia, sonha acordado com frequência e, além disso, tem um punhado de parafusos soltos mesmo. Sua maluquice contagiosa afeta a cidade, que é louca por ele. A seu pedido, Piracicaba entrelaça suas ruas a seu redor, criando esquinas improváveis, como rede de proteção.
Quando a loja de manuais apareceu, Luís vinha de uma desilusão amorosa, a terceira do mês. Bebia e uivava pela rua, amaldiçoando essa “droga de vida, que vem sem manual de instruções”, essas “mulheres inexplicáveis do meu coração”. O jeito era morrer porque “Eu me recuso a viver num mundo sem manual!”, ele gritava. “Quero as regras do jogo agora! Agora! Ou desisto de brincar e pulo do tabuleiro da vida. Pulo direto pra frente de um carro.”
No cruzamento das paralelas, acenderam-se as luzes da loja. Um vendedor chamou: “Por aqui, poeta! Temos guias, manuais, mapas, tutorias, impressos ou digitais, sobre o mundo e muito mais. Tudo isso a seu dispor. Entre e leia, por favor!” Luís entrou e desapareceu da cidade por um mês. Ninguém sabia dele.
Bombeiros procuravam seu corpo no rio, enquanto Luís, sempre na loja, fartava-se de ler e descobria que os manuais, por melhores que fossem, jamais dariam todas as respostas a tempo. Os guias simplificados eram fáceis de ler, mas desconsideravam as inúmeras variações possíveis na vida. Coisas simples podiam ter regras simples, como “As Normas da Corda Bamba – Primeiros Passos”, livreto que ele, desafiadoramente, pediu para ver, quando ainda duvidava que o vendedor pudesse apresentar-lhe manuais sobre qualquer matéria.
Assuntos complexos exigiam manuais igualmente complexos, que levariam a vida toda para ler e outra vida para entender. Luís era inteligente demais para dedicar-se a um tema só. Leu sobre a vida, o amor, o possível, o impossível. Misturou tudo na cabeça. Leu sobre organização de ideais. Lembrou-se de perguntar ao vendedor quanto pagaria pelo acesso a tantas informações. “Quase nada, poeta”, respondeu o vendedor, “você paga com seu tempo. O tempo que você passa aqui lendo sobre a vida é descontado do tempo que lhe resta a viver. É bem barato para quem pensava em saltar na frente de um carro, não acha?”
Cheio de dúvidas, Luís preferiu sair da loja. Mal pisou na calçada, mudou de ideia. Tentou voltar para dentro. Não conseguiu. O estabelecimento desaparecera. Em seu lugar, estava um posto de gasolina abandonado.
Luís só conta essa história quando bebe. Apresenta, como prova, anotações incompreensíveis sobre um suposto manual chamado “A Física e a Metafísica da Corda Bamba”.




quarta-feira, 18 de novembro de 2015

UNDE MALUM

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
                
 UNDE MALUM
“(de onde vem o mal?: Sto Agostinho)”
Antonio Carlos Fusatto


Dor, assombro, indignação!...
Cabisbaixas, rostos sofridos,
contra palmas das mãos.


Qual rútilos diamantes,
                                               lágrimas passeiam pelas faces,
                                               e, maculam-se ao chão.

Soluçando baixinho e orando,
cada uma à sua crença individual...
Paris, cidade Luz! Vários eventos:
sicários extremistas provocam;
um triste final!...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Para onde?

 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade

               Recentemente, um amigo escreveu num desabafo: “Vou-me embora pro Butão”. E aí não sossego enquanto não busco informações a respeito. Bem, o Butão é considerado o país da felicidade. Diz o Google que “o Butão é um pequenino reino encravado aos pés do Himalaia e bastante fechado ao turismo. Ao norte, a gigantesca China e ao sul a superpopulosa Índia. É distante do Brasil. Poucas pessoas conhecem. Exótico. Feliz. País de tradições peculiares e muito isolado”.
               Não sei se eu gostaria de ir para o Butão. Desde menina, intriga-me uma música que até hoje gosto de cantar. Foi composta pelo baiano Dorival Caymmi e se chama “Maracangalha”. A letra é bem simples e diz assim: “Eu vou pra Maracangalha, eu vou / Eu vou de uniforme branco, eu vou / Eu vou de chapéu de palha, eu vou / Eu vou convidar Anália, eu vou”. E ele diz que se Anália não quiser ir, ele vai só.
               Vemos que, quando alguém mete uma ideia na cabeça de ir a algum lugar, se não houver quem o acompanhe, vai só mesmo. Contudo, é melhor ter companhia, a viagem fica mais segura a dois. Até biblicamente, devemos ir sempre aos pares.
               Mas e aí, Maracangalha existe de verdade? Afinal, para onde Caymmi iria? A música foi composta em 1957. Quanta gente a cantou! O lugar é um distrito do município de São Sebastião do Passé, na Bahia. O que haveria de tão especial em Maracangalha? E Anália? O chapéu de palha? Meros recursos da rima ou tudo isso faria parte de uma planejada viagem de amor?
               Houve um tempo em que a moda era dizer “Vou-me embora pra Pasárgada”, do poeta Manuel Bandeira. Onde ele foi buscar inspiração? Pasárgada era uma cidade da antiga Pérsia, atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no IrãMas o poema ficou famoso e tem uns versos assim: “Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei”.
               Quando comecei a aprender violão, adorava cantar uma cantiga gaúcha: “Vou-me embora, vou-me embora, prenda minha / Tenho muito que fazer / Tenho de ir para o rodeio, prenda minha/ No campo do bem-querer”. Ah, o desejo de ir para algum recanto que nos faça sonhar!... Versos como “vou-me embora” povoam o imaginário de todos os poetas. Eu gostaria de dizer: “Vou-me embora pra Israel”, pois tenho um sonho de conhecer a Terra Santa. Gostaria de ficar por lá, ajudando os frades franciscanos a cuidar dos templos e locais sagrados.
               Contudo, sei que não irei para o Butão, Maracangalha, Pasárgada e tampouco para Israel. Há alguns anos, eu dizia: “Vou-me embora pro Campestre”, mas agora moro na cidade e o campo faz parte de um passado lindo.
               E Marte? Será moderno dizer “vou-me embora para Marte”? O que haverá por lá? O Google diz que Marte possui uma formação rochosa e parece haver água no planeta. O dia dura 24 horas e 36 minutos e o ano tem 687 dias terrenos. Em 1960, Sergio Murilo gravou “Marcianita”. Alguém se lembra? Na letra da música, em 10 anos estaríamos lá. Ainda estamos na corrida. Para onde

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Reminiscências de Piracicaba

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
                                                                                 
De repente... abri a janela de minha vida e deparei-me com o entardecer de uma existência sexagenária.
No horizonte, nuvens doiradas pelo sol do dia que finda, uma brisa leve passeia pelas folhas das árvores embalando-as suavemente, a fragrância das flores no ar, incansáveis colibris em harmoniosa coreografia bailam de flor em flor, sobre a relva, intensa revoada de insetos e, tendo como fundo deste cenário, céu azul anil.
Nesse devaneio, o pensamento vagueia pelo tempo e direciona a atenção ora para o passado ora para o presente, a alma estremece, vibra diante das recordações, a sensibilidade é mais forte que palavras e sons; traz-me à lembrança a piracema do caudaloso Piracicaba, cardumes de peixes tentando transpor o Salto, como brocados enfeitando o Véu da Noiva; a velha ponte do Mirante com passarela de madeira; a guarita do guarda da Sorocabana cheia de cestos e jacás de bambus, construídos entre uma passagem e outra da “Maria Fumaça”, como forma de passatempo e reforço de salário; o jardim da ponte com suas frondosas árvores quase engolindo o coreto; as pescarias noturnas no Salto do Piracicamirim dentro da ESALQ; as chaminés do Engenho Central, soltando fumaças negras voluteando no ar; as cerâmicas da Rua do Porto, contrastando com a densa mata ciliar e harmonizando-se com a Vila dos Pescadores. Ouço o inconfundível sino do bonde, tocado pelo cobrador a cada passagem recebida, o berrante ao longe anunciando a chegada de mais uma boiada com destino ao matadouro, as melodias das orquestras tocando no Clube Coronel Barbosa, o som ensurdecedor dos teares da Fábrica de Seda, na Vila Rezende, e da Fábrica Boyes, o apito do trem chegando às 22:00 horas na Estação da Paulista, a alegria da garotada ora brincando nas águas do cristalino Itapeva, ora jogando futebol com bola de borracha, bolinhas de gude, rodando pião, corrida de pega-pega; entre tantas outras brincadeiras.
As meninas brincando de roda e cantando canções folclóricas hoje quase totalmente esquecidas, pulando corda, amarelinha, entre outras.
De repente... volto ao presente: o velho Piracicaba, qual esqueleto leuquêmico, curvado sob o peso da poluição, carregando toneladas de resíduos.
O jardim da Ponte não mais existe, o negrume do asfalto contrastante com a alvura das edificações, todo o verde foi engolido... E a velha “Maria Fumaça”? O bonde? O troar das boiadas na ponte? O cheiro gostoso de garapa do Engenho Central? O bosque da Casa do Povoador, com seu murmurante regato? Os saraus dançantes com famosas orquestras? O encontro da boemia nas madrugadas, no Bar Bola Sete?
Das cerâmicas da Rua do Porto, somente altivas chaminés persistem no tempo, como dedos da natureza em riste, denunciando o homem por suas agressões nefastas.
Ah! Que nostalgia, que poder de juventude carrega meu coração; pulsa entusiasmo.
O tempo, na minha memória, vibra a emoção misteriosa das noites de luar, a estender résteas de pratas pelas árvores, telhados e o rio, os acordes de violões seresteiros nas madrugadas frias, bailes juninos nos terreiros, muitas vezes à luz de lampiões, as brincadeiras com busca-pés e os bate-papos até altas horas da noite.
Essas emoções ou ansiedades povoam o meu espírito, dando-me a sensação de que vivo perenidades.
Empolgado, o arrebatamento leva-me a cantarolar meio desafinado alguns boleros; enquanto irradima ainda mais minhas emoções.
O passado deixou saudade, nostalgia, há canções que machucam o coração, pela poesia e ritmo das notas musicais.
Como é interessante o subjetivismo humano!
Em meu peito permanece a nostalgia de ontem, o que será amanhã?
Recomponho na mente todo o itinerário percorrido nas asas do tempo, e sinto que, no âmago do meu ser, ainda palpita forte a juventude, ainda há um garimpo de energias vitais.
Minh’alma é um relicário guardando inúmeros papéis, sou mais um protagonista no belo espetáculo da vida, cujo palco é o mundo e o tempo interminável.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Saudade

 Acadêmica Myria Machado Botelho
Cadeira n° 24 - Patrona: Maria Cecília Machado Bonachella

            É uma caminhada que machuca. A morada dos mortos, aquele silêncio, apenas entrecortado pelo canto dos pássaros e o farfalhar do vento por entre os arbustos, leva-nos   à  única certeza, a da  transitoriedade, pequena para uns, mais longa para outros, porém sempre dentro  de limites que não nos pertencem.
            “Omnes símiles sumus”:  uma igualdade que deveríamos considerar, caminhando por essas ruas estreitas , ladeadas por túmulos suntuosos e humildes em que os mortos, de todas as idades, crianças, jovens, idosos, de todas as condições sociais, todos eles reduzidos ao pó, todos eles igualados em mesmíssima  situação.  Talvez se pudessem, teriam a nos dizer  muitas coisas, inclusive alertando sobre a melhor forma de nos conduzirmos entre os viventes.  Porque não  buscar o melhor que possuímos dentro de nós mesmos, e não trazer  essa igualdade, através do amor que expulsa  o ódio,  o apego exagerado  aos bens materiais, a avareza, a cobiça, a inveja, a mentira , a traição, a ingratidão, a perfídia, o conflito que leva à divisão, ao preconceito, ao crime , ao assassinato e às guerras, ao sofrimento e à pior de todas as mortes, a morte da própria alma? Se não sabemos nada, absolutamente nada, sobre o  que nos espera no próximo momento , qual o motivo de tanta sofreguidão, de tantos planos para o futuro incerto, de tantos esforços inúteis? Porque o Senhor  da vida não avisa quando vem  e pode surpreender , antecipando-se ou postergando a sua vinda.  E é muito bom que assim seja, e seria intolerável  se soubessemos.
            É claro que não podemos viver em função da morte, pois que a vida é bela e digna de ser vivida, mas é preciso ter presente a noção de que nada nos pertence por inteiro e que, como os pássaros e as flores, temos o dever de criar a harmonia  que une, que congrega, embeleza e ameniza.  Uma utopia ?  pode ser. 
            À sombra de um pé de murta ( e elas são numerosas nos cemitérios), ao lado do túmulo de meu filho , eu orei  e chorei..  Nem sei quanto tempo meditei e me detive sobre sua história tão entrelaçada com as histórias dos que ali vieram ter, antes dele.  Seus avós, seus tios, seu pai  que ele tanto amou, pois esse amor foi sua maior e mais bela lição .  Com todos seus rompantes que escondiam um coração doce e compassivo, meu filho foi surpreendido num momento inesperado, depois de vencer uma batalha  que a todos parecia quase  insuperável.   Batalha que vencemos juntos, através de uma ajuda recíproca que teve, certamente, a mão de Deus. Ele foi estoico, forte, corajoso e digno, uma presença marcante.  Humano e sensível , inteligente, espirituoso, dotado de uma arte que hoje escasseia- a da conversação entreverada de “causos “, principalmente da família e do avô paterno que venerava, sem deixar de enxergar as limitações, ele sabia narrar como ninguém, através da memória , da imitação e do jeito de acentuar o lado  jocoso.
            Hoje, longe de sua presença física, restou-me a recordação desses bons momentos , porque  os transes dolorosos, eu faço tudo para esquecer, inclusive a brutalidade  de um desfecho que jamais imaginei  pudesse atingir -me. Uma resposta que teremos a seu tempo.

Nesta manhã de céu muito azul, perfumada pela murta florida , ornada pelo canto dos pássaros que ali fizeram seus ninhos , uma saudade intensa  me une a tantos que também choram  seus entes queridos  e agora experimentam a paz dos justos. E para nós, pais e mães, surpreendidos numa situação inversa, a de sepultar seus próprios filhos, a certeza do reencontro prometido por Jesus Cristo! 

sábado, 31 de outubro de 2015

Nota de falecimento - Ludovico da Silva


Faleceu o fundador do GOLP (Grupo Oficina Literária de Piracicaba) ,  escritor Ludovico da Silva, aos 86 anos.
Natural de Piracicaba, São Paulo. 
Contabilista, Professor, Economista e Jornalista. 
Membro fundador do Grupo Oficina Literária de Piracicaba. 
Contista e cronista. Escrevia para jornais e revistas. 
Participante de diversas antologias. 
Premiado em concursos nacional e internacional. Teve o texto "O Brasil que Cabral não viu", vencedor do I Festival Literário, promovido pela E. S. A. "Luiz de Queiroz", da Universidade de São Paulo, ano 2000, encenado em espaços culturais piracicabanos, em comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil. 
Agraciado com dezenas de medalhas e troféus, entre as quais a primeira Medalha de Literatura "Profa. Branca Motta de Toledo Sachs", no ano de 2006, prêmio instituído pela Secretaria de Ação Cultural da Prefeitura Municipal de Piracicaba.
Um dos coordenadores da página Prosa & Verso, publicada semanalmente pelo jornal A Tribuna Piracicabana, há 15 anos. Autor do livro "Diário de Um Ano Bissexto".
Uma perda irreparável para a literatura e para o grupo que fundou em 1989, há exatos 26 anos.
A APL envia condolências a toda a família.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Coletivos contemporâneos

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

Novos tempos se anunciam enigmáticos... Observo a solitude  voluntária de alguns e o temor da solidão de outros que se juntam em bandos nas situações pontuais: casamentos, velórios, eventos festivos, cerimônias civis, redes sociais entre outras. E se aquietam com seus pares na esperança de dias melhores.


domingo, 18 de outubro de 2015

Ação-reflexão


Rosaly Ap. Curiacos de Almeida Leme

Há quem construa riqueza,
Casas palácios ,talvez,
Há quem cuide da beleza, 
Das roupas ou da nudez .

Há quem cuide da saúde 
Da vida ou do “açude”.
Há quem busque enriquecer,
“coisificando” o saber.

Quanto a mim construo sonhos,
Talvez durem um só momento,
Um a um eu os exponho 
Num encontro sentimento.

Esta è a minha coleção,
encontros para unidade
trabalho a emoção
dentro da realidade.

Sou “semeadora de sonhos “

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Oficina de Poesias no Colégio Dom Bosco Assunção - Piracicaba

Crianças do 4o ano escrevendo poesias após a oficina
Leitura dos poemas produzidos

Com duas das professoras do 4o ano

As poesias produzidas farão parte de um varal de poemas em outubro


Poesias ilustradas pelos próprios alunos





Oficina de Poesia

O que é uma oficina de poesia?
A palavra oficina deriva-se de ofício, trabalho, então, numa oficina de poesia trabalham-se palavras.

Quando me perguntam o que é poesia, eu respondo que é escrever com o coração.
Mergulhados no silêncio, ouvir a voz interior que sempre tem muito a dizer, mas que na correria não paramos para ouvir.
 E o poeta é aquele que consegue captar essa poesia e traduzir a linguagem do coração.
A verdadeira poesia nunca vai morrer porque ela está em tudo.
E o universo pode caber inteirinho em um só verso.
Poesia é um momento especial sendo eternizado.
Poesia é a arte de exprimir as emoções em palavras.
É a linguagem do coração. Ele dita e o poeta escreve.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Queria, quero...


Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme
Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges


              Queria sentir uma brisa suave a acariciar o meu rosto,mas ocorre uma tempestade com raios que ofuscam minha visão cansada.
            Queria o bem rondando a vida de todos, mas os noticiários me falam de crimes, de mortes, de roubos, de corrupção, maldades contra tudo e contra todos...
              Apesar disto é preciso ter esperança. Esperança de dias melhores.
               Esperança de brisa suave acariciando nosso rosto, sussurrando paz.
               É preciso ter entusiasmo, alegria de viver e de proteger a vida e a vida em abundância como nos diz Jesus .

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz