Rio Piracicaba

Rio Piracicaba
Rio Piracicaba cheio (foto Ivana Negri)

Patrimônio da cidade, a Sapucaia florida (foto Ivana Negri)

Balão atravessando a ponte estaiada (foto Ivana Negri)

Diretoria 2025/2028

Presidente: Raquel Araujo Delvaje Vice-presidente: Vitor Pires Vencovsky Diretora de Acervo: Christina Aparecida Negro Silva 1a secretária: Elisabete Jurema Bortolin 2a secretária: Ivana Maria França de Negri 1o tesoureiro: Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto 2o tesoureiro: Edson Rontani Junior Conselho fiscal: Antonio Carlos Fusatto Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal Cássio Camilo Almeida de Negri Jornalista responsável: Evaldo Vicente Responsável pela edição da Revista: Ivana Maria França de Negri Conselho editorial: Aracy Duarte Ferrari Eliete de Fatima Guarnieri Leda Coletti Lídia Sendin Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins

Seguidores

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Verão

Antonio Carlos Fusatto
Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda

Magia universal;
Tempo parado;
apenas a sinfonia
           do vento,
no farfalhar
           das folhas.

Num momento:
Festa de luzes!

Miríade de pequeninas
            lâmpadas,
bailam no negrume da noite.

São pirilampos
            que vagueiam.
     Assim como meus
            pensamentos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Aos amigos aposentados

 Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto
Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara

O texto abaixo foi lido no jantar de encontro com os funcionários aposentados da ESALQ em 2012, um encontro muito agradável no Restaurante Le Gourmet do Hotel Bristol, no último dia 23 de novembro, cerca de 80 amigos lá estiveram.

Aos amigos aposentados:
boa noite! Para os que não me conhecem, meu nome é Carmen Pilotto, funcionária aposentada, mas ainda em exercício na diretoria da Esalq.
É um gr
ande prazer estar aqui com vocês aprendendo um pouco mais em como encontrar paz e harmonia após a opção de finalizar a atividade profissional. Sou uma eterna observadora, e noto que se há algo que nossa geração gosta muito é de ouvir os ditados populares. Já notaram que todos eles têm uma aplicação em nossas vidas?
Assim, vou tentar usar alguns nesta pequena troca de ideias: já repararam como “a grama do vizinho é sempre mais verde?” Ou melhor, “a galinha do vizinho é sempre mais gorda que a nossa”. Acredito que esses ditados só têm sentido quando somos jovens, a partir de um determinado momento passamos a curtir tudo o que temos, não nos atrai mais o carro último tipo ou mesmo as roupas mais sofisticadas. Nossas alegrias vêm das coisas simples que observamos: o fuxico que fazemos com um lindo retalho, o carinho do netinho em um beijinho estralado, o sorriso de um estranho ao nos dizer bom dia, a pequena violeta que soltou lindas flores, a vitória naquela partida do jogo de truco no quintal e coisas do gênero.
Hoje, têm muito mais valor os ditados: “enquanto há vida, há esperança; muito alcança quem não cansa” e o “famoso devagar se vai ao longe”. Tudo porque a maturidade traz uma noção de tempo mais ponderada, sem a urgência da juventude. Nada de marcar dez compromissos no mesmo dia, é necessário curtir cada momento em seu tempo devido. Se demorar a acontecer algum fato, “antes tarde do que nunca”, afinal “a morte não escolhe idade”, mesmo porque “deus dá o frio conforme o cobertor”.
“como águas passadas não movem moinhos”, aguardamos com serenidade nossas manhãs ensolaradas ou chuvosas, mesmo porque “não há nada como um dia depois do outro”.
E vamos tocando a vida porque “não há rosas sem espinhos e o futuro a deus pertence”. Devemos encarar tudo com otimismo e fé lembrando que “a consciência tranquila é o melhor remédio contra insônia”.
Assim amigo, cultive bons hábitos: seja aberto aos novos tempos porque somente “envelhecemos quando deixamos de lutar!” Não seja radical, abra seu coração para os novos tempos, afinal “há males que vem para o bem”. E pensando bem, “não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros”.
Seja positivo, reze, cuide de seu corpo, pondere, “ajuda-te que deus te ajudará!”

FINALIZANDO, QUERO DESEJAR UM FELIZ 2013 PARA TODOS, REMEMORANDO A MADRE TEREZA DE CALCUTÁ, EM SUAS SÁBIAS PALAVRAS:

"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.
Não viva de fotografias amareladas...
Continue, quando todos esperam que desistas.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através dos anos, trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.”

Carmen Pilotto, 23/11/12
Obs: Todas as frase entre aspas (“”) são ditados populares e o último verso é da admirável Madre Teresa de Calcutá.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Hernâni Donato (1922-2012)

Armando Alexandre dos Santos
Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado

                   In memoriam


No meu último artigo, tive ocasião de comentar, com os leitores da Tribuna Piracicabana, o falecimento de Samuel Pfromm Netto, falecido no dia 17 de novembro. Cinco dias depois, outro grande intelectual paulista nos deixou: Hernâni Donato.
Laconicamente, assim rezava a notícia divulgada pela imprensa:
“Morreu na manhã desta quinta-feira (22), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o escritor, historiador, jornalista, tradutor e roteirista Hernâni Donato. O autor será enterrado nesta sexta-feira, às 10h, no cemitério Gethsemani, no Morumbi. Ele tinha 90 anos e ocupava a cadeira nº 20 da Academia Paulista de Letras.”
Soube de mais pormenores por D. Nelly Donato – dama de cultura excepcional, esposa dedicada e cooperadora intelectual da obra de Hernâni. Três ou quatro dias antes do falecimento, Hernâni recebera, na UTI do Hospital, a visita de seu amigo D. Fernando Figueiredo, Bispo de Santo Amaro. D. Fernando estava saindo de viagem para Roma, mas quis visitar Hernâni, ao qual ministrou a Unção dos Enfermos.
Hernâni era desses homens que nos habituamos a supor que nunca morrem, não apenas no sentido metafórico e simbólico de ser um “imortal” membro da Academia Paulista de Letras, mas porque sua vitalidade extraordinária, sua vivacidade de espírito, seu incansável trabalho, sua energia e seu entusiasmo contagiantes, davam-nos a ilusão de que aquele jovem de 90 anos ainda teria um longo percurso pela frente.
Lutou durante 20 anos contra um câncer, mas isso não o impediu de prosseguir suas atividades. Trabalhou até o fim, nunca esmoreceu. No hospital, contou-me D. Nelly, ainda estava empenhado na redação de três livros e comentava com seu médico que não podia morrer sem tê-los concluído.
Iniciou a vida em Botucatu, a cidade dos bons ares, pela qual conservou sempre um carinho e um amor muito assinalados. Em Botucatu, aliás, é considerado a justo título uma glória da cidade, é respeitadíssimo, assim como seu antigo condiscípulo Francisco Marins, igualmente membro da Academia Paulista de Letras. Aos 11 anos de idade, escreveram os dois um romance infantil a quatro mãos. Cada um escrevia um capítulo, alternadamente, e a obra chegou a ser publicada em capítulos, no clássico sistema de folhetim, por um suplemento literário do grupo Diários Associados. Seu título: “O Tesouro”.
Essas foram as primícias do talento dos dois juveníssimos escritores, que tanto haveriam de brilhar nas letras paulistas. Mais tarde, aos 19 anos, Hernâni empreendeu uma tradução da Divina Comédia, considerada até hoje das melhores existentes para nosso idioma.
A partir daí, as produções literárias foram se sucedendo ininterruptamente, chegando à casa dos 80 volumes publicados, nos mais diversos gêneros: livros históricos, obras de referência, biografias, livros infantis, novelas, romances etc.
Historiador consciencioso e bem documentado, sabia escrever do mesmo modo atraente e cativante com que falava. Os leitores sorviam, literalmente, seus livros, todos escritos de modo a prender a atenção do começo ao fim. Quando vejo historiadores de formação criticarem jornalistas, como Hernâni, que escrevem sobre temas históricos e alcançam grandes tiragens, não posso deixar de me perguntar: por que tantos historiadores de formação não escrevem também de modo interessante e adequado ao grande público, mas fazem questão de produzir textos acadêmicos... que só outros acadêmicos conseguem ler e entender?
Hernâni escrevia livros históricos e biografias que, sem embargo do forte embasamento documental, pareciam novelas, roteiros de cinema. Mais de um livro seu foi, aliás, objeto de adaptações para o cinema. Profundamente brasileiro e paulista, Hernâni produziu obra de interesse universal, o que pode ser atestado pelas inúmeras traduções que vários de seus livros tiveram, até mesmo para idiomas pouco afins com o nosso.
Sua erudição era espantosa e de grande precisão. Recordo certa ocasião que lhe perguntei como eram iluminadas as casas paulistas no século XVII. “Depende – respondeu com segurança. Até certa altura desse período, mais usada era a cera de abelha, transformada em velas. Depois, generalizou-se o uso do óleo de baleia, também utilizado na argamassa para construção”. E explicou que pelo exame da documentação antiga conservada no Arquivo do Estado de São Paulo conseguira situar, de modo bastante aproximado, quando o óleo de baleia tinha começado a servir nos candeeiros paulistas.  
Outra vez, perguntei-lhe acerca da realização de touradas, na São Paulo antiga, já que minha avó – nascida em Portugal em 1880 e vinda para o Brasil em 1886 – se lembrava de corridas de touros no Largo dos Curros, que depois foi transformado em Praça da República. Sem qualquer consulta a apontamentos, Hernâni não somente falou das touradas na capital paulista, realizadas até cerca de 1910, mas citou nominalmente várias cidades do interior de São Paulo que mantiveram touradas até bem depois disso, nas quais se exibiam toureiros nacionais e estrangeiros, e até me falou de uma toureira muito famosa, que causou sensação em várias cidades paulistas pelo seu desempenho corajoso. Revelou ainda que tinha apontamentos completos sobre o assunto, mas nunca tivera tempo de redigir algo mais profundo a respeito.
Hernâni teve vida profissional muito intensa, chegando aos mais altos postos do Grupo Abril e da Companhia Melhoramentos. Trabalhou também na imprensa e em vários canais de televisão. Associativamente, atém de membro da Academia Paulista de Letras (cuja revista dirigiu por muitos anos, nela promovendo uma salutar atualização, com excelente projeto gráfico), foi também duas vezes Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Recebeu merecidamente, desta última instituição, o título de Presidente Perpétuo de honra.
Sua solicitude pelo Instituto era enorme. Praticamente todas as manhãs tinha longas conversações com sua Presidente, Dra. Nelly Martins Ferreira Candeias, pois gostava de se manter atualizado sobre os assuntos do Instituto. Nas horas difíceis, que não foram poucas, Hernâni sempre esteve ao lado da nossa valorosa e ativa Presidente, trocando ideias, dando sugestões, aconselhando. Era um interlocutor ideal que Dra. Nelly sempre apreciou e cuja colaboração soube utilizar a bem do Instituto.
Foi, ainda, um amigo muito dileto, ao qual devo, inclusive o prefácio de meu livro de crônicas  “A porto-riquenha dentuça e horrorosa”. Todos nós sentiremos imensamente a falta de Hernâni.

 (*) Armando Alexandre dos Santos é historiador,  jornalista e diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

TROVAS DE NATAL

Leda Coletti- Cadeira no 36
Cadeira n° 36 - Patrona: Olívia Bianco

Sendo os dias, só  Natal,
diverso seria o mundo,
não mais haveria o mal
reinaria o amor profundo.

Esperanças renovadas
para um Natal de luz e paz,
esquecer águas passadas,
perdoar só bem nos faz.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lançamento da Revista número 6 da APL

 Alguns momentos da noite festiva do lançamento da Revista da Academia Piracicabana de Letras que teve apresentação do grupo de chorinho, esquete teatral, seguido de um delicioso coquetel aos presentes
Carmen Pilotto,Nelson Bonachella, Myria Botelho,  João e vera Athayde, Ivana e Cassio Negri
Marisa Bueloni, Maria Helena Corazza e Valdiza Caprânico
Felisbino e Rosaly de Almeida Leme
Carla Ceres, Carmen Pilotto e Ivana Negri
João Baptista Athayde, Myria Botelho, Maria Helena Corazza, Elda Nympha Silveira e Carmen Pilotto
Aracy Duarte Ferrari, Ivana e Cassio Negri
Marisa Bueloni e sua irmã
Apresentação da Ceta (Companhia Estável de Teatro Amador)


Academia Piracicabana de Letras: Um século de existência!

Academia Piracicabana de Letras: Um século de existência!: Um século de existência! (para minha sogra Dayr Plats Almeida de Negri) A aparência frágil esconde uma grande mulher Pequeni...

Um século de existência!


Um século de existência!
(para minha sogra Dayr Plats Almeida de Negri)

A aparência frágil
esconde uma grande mulher
Pequenina na estatura
mas gigante na coragem

Afinal, o que são cem anos?
Perante a eternidade, quase nada
Para a vida terrena,
marca por poucos alcançada

Árvore frondosa, frutificou:
cinco filhos, onze netos e seis bisnetos
A vida não se estanca
e segue renovada

E qual o segredo da longevidade?
Paz de espírito, paciência (muita!)
e serenidade

Quanta vida vivida,
tanta estrada palmilhada
E quantos aprenderam
com a jovem professorinha,
que , todo dia, de charrete ,
partia para a nobre função de educadora

E hoje, ao completar um centenário,
a alegria da missão cumprida,
dos muitos sonhos concretizados,
do amor multiplicado
e o exemplo por legado.

(Ivana Maria França de Negri em 30/11/2012)

Dayr Plats Almeida de Negri é genitora do acadêmico Cassio Camilo Almeida de Negri e sogra da acadêmica Ivana Maria França de Negri




Parabéns, D. Dayr, pelos cem anos, pela vida fecunda e exemplar, por sua família tão simpática e querida em Piracicaba.
Armando Alexandre dos Santos

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Seres Humanos


 Marisa F. Bueloni
Cadeira no 32 - Patrono: Thales Castanho de Andrade


            Recentemente, recebi um e-mail onde se pedia que escrevêssemos algo sobre “seres humanos”. De minha parte, tenho a dizer, com grande alegria, que as pessoas são diferentes. Ponto final. E que todos devem ser respeitados do jeito que são, pois é esse mosaico humano que torna tudo tão fascinante sobre a face da Terra. Cada um traz consigo o seu solo próprio, a sua bagagem pessoal, sua história de vida.
Cada ser humano carrega em sua alma a essência de sua natureza. Ser como se é faz parte de um conjunto biopsíquico, de uma riqueza incomensurável. Uns tiveram uma infância feliz e saudável; outros sofreram e foram oprimidos ou vieram de lares desestruturados. Quem passou por um trauma duríssimo quando criança, certamente terá dificuldades de superá-lo ou então irá suportar esta dor, pelo aprendizado da sobrevivência diária.  
Cada um possui o seu histórico pessoal, o seu DNA, a sua concepção como pessoa e isso é território sagrado em cada ser humano.  Então, de repente, olhamos para alguém que nos parece transmitir uma tristeza eterna. Se tivermos bondade suficiente em nosso coração, saberemos como tratar essa pessoa. Com um pouco de tato, de cautela, não tocaremos na ferida interior, pronta a sangrar a qualquer momento.
           Do ponto de vista da pedagogia, busca-se a compreensão dos elementos formadores do caráter, da personalidade da pessoa e da forma como ela desenvolveu suas potencialidades. Até na Palavra de Deus encontramos a sabedoria necessária, quando lemos que “muitos são os dons, mas um só o Espírito”. Podemos entender que o mesmo Espírito nos anima a todos.  Daí os iluminados para a filosofia e as artes; os matemáticos; os músicos; os poetas; os cirurgiões e os que parecem possuir pendores para um pouco de tudo...
           No mundo de hoje, é cada vez mais difícil encontrar pessoas realizadas, centradas, equilibradas. Como diria Caetano Veloso, "de perto ninguém é normal".  Conhecemos alguém e, no minuto seguinte, esta pessoa já está nos contando o inferno que é a vida dela... Vemos que pouca gente está vivendo em paz, com equilíbrio e alegria.  Há muito desgosto na vida das pessoas, problemas de toda ordem, infelicidade, desacertos, e também muita luta por parte da maioria.  
          Contudo, se há uma tecla que merece ser martelada, é esta: é preciso entender as pessoas, compreender cada um em seu estilo pessoal.  Mas, se alguém deseja mudar em alguma coisa, há que ter força de vontade, respeito por si mesmo, um firme propósito de fazer de si uma pessoa melhor. Talvez mais maleável, mais flexível, mais "fácil de se conviver".
         Quem carrega máscaras irá deixá-las cair lá na frente, porque é impossível segurar a pose o tempo todo. A coisa mais bonita no ser humano é a autenticidade, ser verdadeiro, não fazer tipo. Uma pessoa interessante é sempre aquela que tem opinião própria, que construiu um caminho pessoal pelo qual trilha com segurança e autoridade. Alguém com domínio sobre a própria vida, que sabe respeitar o próximo, que transita sem preconceitos pelo universo das ideias e que também reconhece seus próprios limites.
         Seres humanos! Quanta diversidade!... Hoje, já tratamos com naturalidade até mesmo a diversidade sexual, aceitando e compreendendo pessoas com orientação sexual diferente da nossa, buscando acolher, partilhar, respeitar. As pessoas são diferentes e o convívio respeitoso entre todos resulta na paz.  A paz é fruto da justiça. Onde não há justiça, não há paz. Se todos se tratam com igualdade, fraternidade e respeito; se cada um vive de forma a não avançar nos direitos do próximo, encontraremos justiça e paz.
         Seres humanos são simples e são complexos. E é essa diversidade que faz a beleza da vida. Uns são calados e introspectivos; outros são falantes, ruidosos e alegres.  Uns conseguem chorar e desabafar as dores da vida; outros não demonstram nem que estão com dor de dente. Não perdem a pose por nada. São os chamados "duros na queda".
         Cada criança tem o seu ritmo. Umas andam com 10 meses, outras depois de um ano; umas falam cedo, outras demoram um pouco mais. E todas irão se desenvolver, à sua maneira, porque cada ser humano tem um ritmo. E esta premissa pertence a cada um, na sua evolução, na sua vida afetiva e no seu desenvolvimento biopsíquico. Um ritmo que segue o respiro interior do universo - uma árvore respira, a Terra se mexe, nada é estático e parado. Tudo possui um movimento próprio e vital.
         Seres humanos! Como cada um é especial! Mesmo os mais geniosos, difíceis e insuportáveis - mesmo estes são belos e possuem o brilho intrínseco da pessoa humana.  Toda pessoa carrega um valor em si mesma. Cada um possui uma dignidade como ser humano e deve ser respeitado como tal. Não importa se a pessoa é um prêmio Nobel ou um varredor de rua. Ambos são dignos, em sua grandeza particular.
         Temos de compreender tudo isso para vivermos em harmonia com o próximo e conosco mesmos. Entender que cada um tem um caráter, uma personalidade, um gosto pessoal. E que ninguém nasceu para viver sob o jugo do outro. Todos somos criaturas livres e fomos criados para essa maravilhosa liberdade.
         Se alguém se casa, não é para passar a existência numa redoma ou viver prisioneiro do outro. Ambos têm de crescer no amor, no relacionamento, na vida a dois. Se um sufocar o outro, há algo de errado na relação, pois amor é vida, é liberdade, é alegria!
         Que Deus nos proteja a todos, Ele que nos fez tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes!...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

In memoriam


                                 Samuel Pfromm Netto (1932-2012)

Armando Alexandre dos Santos (*)

Na última semana, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo perdeu dois de seus mais eminentes membros: no dia 17, faleceu o piracicabano Samuel Pfromm Netto (1932-2012) , e no dia 22 deixava-nos o botucatuense Hernâni Donato (1922-2012). A ausência de ambos é, literalmente, irreparável, porque homens da cultura e do descortino de Hernâni e Samuel não aparecem com frequência, ainda mais em tempos de decadência cultural como o nosso. Eram verdadeiros ícones da Cultura Paulista.
Já há poucos meses, outro destacado membro que honrava as fileiras do IHGSP havia falecido. Refiro-me a D. Antônio Maria Mucciolo, arcebispo emérito de Botucatu e diretor da Rede Vida de Televisão. Aos três sou, pessoalmente, devedor, porque cada um deles teve a gentileza de prefaciar um livro meu.
Pretendo hoje recordar alguns pontos que me ocorrem, relativos a Samuel. Conheci-o há perto de 20 anos, quando ingressei no IHGSP. Desde logo fiquei cativado por sua personalidade pujante, sua cultura, sua extrema amabilidade. Nós, os mais jovens do Instituto, tínhamos por ele enorme respeito, pois conhecíamos seu currículo brilhante, desde professor primário até livre-docente,  desde modesto jornalista na Piracicaba ainda provinciana da meados do século XX, até professor emérito de Psicologia Educacional, na USP, autor de obras de peso e referência internacional na sua especialidade.
Mas ele não nos intimidava, mostrando-se, pelo contrário, acessível. Quando conversava com os mais jovens, longe de adotar uma postura professoral (que seria, aliás, mais do que justificada), sabia adaptar-se, acamaradar-se, gostava de ouvir, estimulando os melhores lados do interlocutor. Era cultíssimo, tinha um conhecimento profundo da História e da Literatura dos vários povos, de modo que, nas conversas, com naturalidade entremeava observações argutas, comentários inteligentes, recordações de leituras ou viagens muito adequadas ao momento. Era, ao mesmo tempo, atualizado, acompanhando com interesse as novidades em todos os ramos do saber. Conversar com Samuel era aprender, era penetrar num mundo encantado de cultura e bom gosto.
Tinha, ainda, seus hobbies, seus “estudos paralelos”, conhecendo em profundidade cinema, história em quadrinhos e música popular brasileira. Tudo isso o aparelhava de modo excelente para, nas conversas ou aulas, soltar observações engraçadas, sutis, cheias de verve. Era capaz de, numa conferência, referir-se a um personagem de romance, a uma peça de teatro, citar um ditado popular, cantar um trecho de uma música, tudo isso com naturalidade, encantando os que o ouviam.
Era um grande orador, dos melhores que conheci, comunicador nato, professor até a medula dos ossos.
Mais tarde, já em 2001, tive ocasião de estreitar relações com ele e com sua esposa, D. Olga, quando o entrevistei para o jornal “São Paulo em foco”, do qual era diretor.
Falei de D. Olga. É impossível recordar Samuel sem falar dela. A fidelíssima companheira de mais de 50 anos de matrimônio, contou-me, no velório, que poucos dias antes do falecimento, com Samuel já muito doente e abatido, ela, que no quarto do hospital procurava distrair-se e distender-se um pouco fazendo palavras cruzadas, perguntou-lhe alguma coisa, referente à história de Roma Antiga. Era um nome qualquer de um imperador, com determinado número de letras, que precisava colocar no papel.
Evidentemente, D. Olga quis, com a pergunta, estimular um pouco o intelecto combalido do esposo, animando-o. Mas, gracejou:
- Samuel, quero só saber a palavra, não precisa me dar uma aula.
Mas o velho professor, estimulado, não se contentou em dar a resposta... sentiu necessidade de explicá-la. E dali brotou uma conversa que tomou a manhã inteira, percorrendo com sua memória e recordando com vivacidade toda a história da antiga Roma, desde a lendária fundação, com Rômulo e Remo, até a Antiguidade Tardia, já no despontar da Idade Média. Vendo que o marido se animara, D. Olga, jeitosamente, deu corda, foi fazendo perguntas, incentivou-o a falar. E ele falou... Tudo repassou, os reis, a república, o consulado, o principado, o império, o surgimento do Cristianismo, a crescente influência dos bárbaros que, afinal, destruíram o Império. Foram três ou quatro horas de conversação...
Por trás de todo grande homem, costuma-se dizer, existe uma grande mulher. D. Olga é a grande dama que acompanhou Samuel em sua vida. Dotada ela também de notável inteligência e cultura – especialmente na área de Letras – foi a companheira e interlocutora ideal de toda uma vida dedicada ao pensamento, ao ensino, à cultura.
Conheceram-se ambos aqui à porta do meu prédio, na Rua São José, defronte ao antigo Cinema Broadway. Samuel era, então, um jovem professor, diplomado pelo antigo Curso Normal, e trabalhava como jornalista no Jornal de Piracicaba, redigindo a crítica cinematográfica. A jovem Olga viu o jovem Samuel, gostou dele e dali nasceu um romance que se manteve por mais de meio século.
Piracicabano estabelecido em São Paulo, Samuel nunca esqueceu sua terra natal. Aqui vinha com frequência, sonhava retornar para cá. Ainda poucos meses antes de falecer, pediu-me que lhe procurasse um apartamento pequeno, aqui no centro da cidade. Queria ter um “pied-à-terre” aqui, que não ficasse longe nem da Praça José Bonifácio nem do rio Piracicaba. Queria poder ir a pé aos velhos e saudosos locais em que passara a infância...
 Para cá realmente retornou, mas infelizmente num dia muito triste para todos nós que o estimávamos e admirávamos. Veio para o sepulcro dos Pfromm, no Cemitério da Saudade. Pouco tempo antes, dissera-me que havia tomado todas as providências para seu sepultamento. Não queria ser cremado, mas sepultado, de acordo com o velho costume católico, junto dos seus, na sepultura familiar. E como católico morreu, confortado com os sacramentos da Igreja. No mesmo dia do seu enterro, na missa dominical das 19 horas, celebrada em rito oriental maronita, Mons. Jamil (que era amigo de Samuel e seu confrade no IHGSP), recordou sua figura e sufragou sua alma. Deus tenha a alma desse grande amigo, desse grande mestre, desse grande piracicabano.
Deve sair em breve, como obra póstuma de Samuel, o Dicionário de Piracicabanos Ilustres. Empenhou-se nesse livro monumental por anos a fio e queria vê-lo publicado em vida. Acompanhei-o em alguns dos lances que deu, na infrutífera tentativa de conseguir patrocínio para a publicação. Mas somente depois de sua morte virá a lume, editado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, agora sob a direção segura de nosso amigo Vitor Vencovsky. Será a primeira obra póstuma de Samuel Pfromm Netto. Acredito que, em seus papéis de estudo e pesquisa, outras obras ainda estejam esperando pela luz da publicidade. Sim, era fecundo, era fecundíssimo, meu amigo Samuel, com sua cultura polimorfa e multifacetada.

(*) Armando Alexandre dos Santos é historiador, jornalista e diretor da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Acadêmico e vice presidente da APL assume a reitoria da UNIMEP



Nesta quinta-feira, 22 de novembro, o acadêmico e vice presidente da APL, professor Dr. Gustavo Jacques Dias Alvim,  assumiu o cargo de Reitor da UNIMEP ( Universidade metodista de Piracicaba).
O evento teve  apresentação do Dr. Wilson Roberto Zuccherato, Diretor Geral do Instituto Educacional Piracicabano da Igreja Metodista (IEP).
A acolhida foi feita pelo reverendo Nilson da Silva Júnior; seguida de liturgia de Ação de Graças feita pelo reverendo Tavernard Júnior; oração comunitária feita pela reverenda Yone da Silva e reflexão pastoral feita pela pastora Ana Glória Prates Gris da Silva, coordenadora da Pastoral Universitária e Escolar do IEP.
Os confrades da ACADEMIA PIRACICABANA DE LETRAS parabenizam pela conquista.

Galeria Acadêmica

1-Alexandre Sarkis Neder - Cadeira n° 13 - Patrono: Dario Brasil
2- Maria Madalena t Tricanico de Carvalho Silveira- Cadeira n° 14 - Patrono: Branca Motta de Toledo Sachs
3-Antonio Carlos Fusatto - Cadeira n° 6 - Patrono: Nélio Ferraz de Arruda
4-Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso - Cadeira n° 15 - Patrono: Archimedes Dutra
5-Aracy Duarte Ferrari - Cadeira n° 16 - Patrono: José Mathias Bragion
6-Armando Alexandre dos Santos- Cadeira n° 10 - Patrono: Brasílio Machado
7-Barjas Negri - Cadeira no 5 - Patrono: Leandro Guerrini
8-Christina Aparecida Negro Silva - Cadeira n° 17 - Patrono: Virgínia Prata Gregolin
9-Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto - Cadeira n° 19 - Patrono: Ubirajara Malagueta Lara
10-Cássio Camilo Almeida de Negri - Cadeira n° 20 - Patrono: Benedito Evangelista da Costa
11- Antonio Filogênio de Paula Junior-Cadeira n° 12 - Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto
12-Edson Rontani Júnior - Cadeira n° 18 - Patrono: Madalena Salatti de Almeida
13-Elda Nympha Cobra Silveira - Cadeira n° 21 - Patrono: José Ferraz de Almeida Junior
14-Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal - cadeira no 31 - Patrono Victorio Angelo Cobra
15-Evaldo Vicente - Cadeira n° 23 - Patrono: Leo Vaz
16-Lídia Varela Sendin - Cadeira n° 8 - Patrono: Fortunato Losso Netto
17-Shirley Brunelli Crestana- Cadeira n° 27 - Patrono: Salvador de Toledo Pisa Junior
18-Marcelo Pereira da Silva - Cadeira n° 28 - Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto
19-Carmelina de Toledo Piza - Cadeira n° 29 - Patrono: Laudelina Cotrim de Castro
20-Ivana Maria França de Negri - Cadeira n° 33 - Patrono: Fernando Ferraz de Arruda
21-Jamil Nassif Abib (Mons.) - Cadeira n° 1 - Patrono: João Chiarini
22-João Baptista de Souza Negreiros Athayde - Cadeira n° 34 - Patrono: Adriano Nogueira
23-João Umberto Nassif - Cadeira n° 35 - Patrono: Prudente José de Moraes Barros
24-Leda Coletti - Cadeira n° 36 - Patrono: Olívia Bianco
25-Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins - cadeira no 26 Patrono Nelson Camponês do Brasil
26-Maria Helena Vieira Aguiar Corazza - Cadeira n° 3 - Patrono: Luiz de Queiroz
27-Marisa Amábile Fillet Bueloni - cadeira no32 - Patrono Thales castanho de Andrade
28-Marly Therezinha Germano Perecin - Cadeira n° 2 - Patrona: Jaçanã Althair Pereira Guerrini
29-Mônica Aguiar Corazza Stefani - Cadeira n° 9 - Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira
30-Myria Machado Botelho - Cadeira n° 24 - Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela
31-Newman Ribeiro Simões - cadeira no 38 - Patrono Elias de Mello Ayres
32-Angela Maria Furlan – Cadeira n° 25 – Patrono: Francisco Lagreca
33-Paulo Celso Bassetti - Cadeira n° 39 - Patrono: José Luiz Guidotti
34-Raquel Delvaje - Cadeira no 40 - Patrono Barão de Rezende
35- Elisabete Jurema Bortolin - Cadeira n° 7 - Patrono: Helly de Campos Melges
36-Eliete de Fatima Guarnieri - Cadeira no 22 - Patrono Erotides de Campos
37-Valdiza Maria Capranico - Cadeira no 4 - Patrono Haldumont Nobre Ferraz
38-Vitor Pires Vencovsky - Cadeira no 30 - Patrono Jorge Anéfalos
39-Waldemar Romano - Cadeira n° 11 - Patrono: Benedito de Andrade
40-Walter Naime - Cadeira no 37 - Patrono Sebastião Ferraz